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21 de novembro de 2021
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Com informações do Uol

SÃO PAULO – Em 2002, Suzane von Richthofen arquitetou o assassinato dos próprios pais com o namorado, Daniel Cravinhos, e o cunhado, Cristian Cravinhos. Prestes a completar 20 anos, dois filmes baseados no crime chegam amanhã ao Amazon Prime Video: “A Menina Que Matou os Pais” e “O Menino que Matou Meus Pais”. Cada um dos longas mostra uma visão diferente do crime: pela versão de Suzane von Richthofen, vivida por Carla Diaz, ou pela ótica de Daniel Cravinhos, interpretado por Leonardo Bittencourt.

Em conversa com Splash, do UOL, a atriz disse ter sido bastante desafiador interpretar uma pessoa real e que precisou se afastar do próprio julgamento para poder vivê-la de maneira que fosse próxima da realidade. “Quando eu soube que eu iria fazer [o filme], sabia da responsabilidade de interpretar uma história real de um dos crimes mais falados do Brasil, um dos mais chocantes e estarrecedores, que ainda gera muita discussão. Eu sabia que precisaria me distanciar do meu julgamento pessoal em relação ao caso, porque, se não, não conseguiria interpretar com veracidade a personagem, ainda mais sendo em duas versões, dois filmes, que contam a mesma historia, por dois olhares diferentes”, conta.

Três personagens

Como os títulos abordam diferentes versões do mesmo crime, os personagens apresentados também mudam: em “A Menina Que Matou os Pais”, Suzane é manipuladora e seduz Daniel para a cometer os assassinatos; já em “O Menino que Matou Meus Pais”, ela é uma garota doce e apaixonada, levada pelo namorado às drogas e à decisão de matar Manfred e Marísia von Richthofen.

Para Diaz, há também uma terceira versão de Suzane, a que é apresentada no tribunal. Nestas cenas, segundo a atriz, “a personagem tem outra nuance, outro tipo de construção, porque tem uma diferente de anos, ou seja, ela já está presa, em um tribunal, ela vai fazer a sua defesa”.

Por essa ótica, a ex-BBB entende que ela e Leonardo Bittencourt acabaram vivendo três personagens diferentes ao longo dos dois filmes. “Para nós, atores, é um superdesafio um projeto desses, e até porque ele acaba sendo inédito: esse modelo de dois filmes contarem a mesma história, nunca aconteceu no cinema antes”.

Desde que se descobriu a verdade sobre o caso, o crime sempre foi noticiado pela manchete de “filha mata os pais”, deixando o protagonismo para Suzane. Sendo assim, Bittencourt disse ter usado os autos do processo — os mesmos usados para criar o roteiro — para compor Daniel Cravinhos.

Segundo o ator, os documentos eram bastante ricos em detalhes, com registros precisos de quando fatos aconteceram e até mesmo traços de comportamentos do casal. “Isso ajuda muito na composição de personagens reais, por mais que o rosto dele não seja não tão conhecido. Os fatos conhecidos são os mesmos para os dois”.

Como foi?

Para gravar os dois “A Menina Que Matou os Pais” e “O Menino Que Matou Meus Pais”, foram 33 dias de gravações que, segundo Carla Diaz, demandaram bastante de toda a equipe de produção. “Foi um recorde. E foi muito intenso, porque nós todos da equipe, tínhamos muita concentração e foco para poder realizar dois filmes e contar duas histórias, versões completamente diferentes, e trocar a chavinha quando precisava gravar outra versão. Foi único e muito diferente”.

Tanto para a atriz, quanto para Bittencourt, as sequências feitas para representar o tribunal foram as mais difíceis de serem feitas. “A gente teve o cuidado de não mudar nenhuma palavra do que foi dito no julgamento. Foi muito emocionante porque todo o elenco e toda a equipe estavam presentes, fora a quantidade de figuração. E a direção de arte que fez, em um estúdio, o tribunal que parecia o do caso real. Aquilo tocou todos nós”, conta Diaz.

A composição dos personagens estava tão verossímil que, segundo Leonardo Bittencourt, uma pessoa da equipe que também esteve presente no julgamento real, elogiou o trabalhado dos atores e disse que a sensação era de reviver o momento.

A cena do crime

Para o ator que vive Daniel Cravinhos, a sequência do assassinato também não foi fácil de se reproduzir. “A cena das gravações do crime foram bem intensas, com dois dias de filmagens. Foi bastante dedicação, tanto mental quanto física, em que cada um teve o seu próprio processo”.

Ao final das filmagens, o ator contou que todos da equipe se reuniram, deram as mãos, e fizeram um minuto de silêncio em respeitos às vítimas.

Controvérsias

Ao ser anunciado, o projeto dos dois filmes sofreu inúmeras críticas. Entre elas, sobre a possibilidade de humanizar os assassinos e também glamourizar o ato. No entanto, Diaz se sentiu imune às reclamações, pois acredita que os críticos, inicialmente, não tenham entendido o objetivo dos filmes. “As críticas não foram para mim, e houve um debate a partir do momento em que as pessoas não tinham todas as informações do projeto”.

Por isso, mesmo com as críticas e possíveis controvérsias, Carla Diaz topou participar da produção. “Como artista, sabendo da responsabilidade de viver essa história real, aceitei esse desafio.”

Para ela, a arte deve abordar todos os tipos de assunto, “ainda mais sobre um crime”. “Parricídios são mais comuns do que a gente imagina, e isso nunca é debatido na sociedade. E por que não é falado? Tem que ser questionado. A arte está aí para questionar e, talvez, trazer alguma mudança positiva no final disso tudo”.

Bittencourt concorda que é necessário continuar falando sobre parricídio — quando o crime envolve o assassinato de figuras paternais —, mesmo tantos anos depois do crime. “A gente precisa trazer o debate para evitar esse tipo de crime horroroso. O papel dos filmes, da arte como um todo, é trazer esse questionamento. A gente não vem para contar uma história e glamorizar, exaltar o ato, porque isso não seria nem possível, porque nada apaga o crime que eles fizeram. A nossa proposta é levantar o questionamento do que leva o ser humano a fazer um ato desses, e cada um na sua conclusão, chegar a uma resposta. Até porque a verdade, só os envolvidos sabem”.

A presença de Suzane Muito foi debatido sobre o envolvimento de Suzane von Richthofen em “A Menina Que Matou os Pais” e “O Menino Que Matou Meus Pais”. Carla Diaz, contudo, é pragmática ao explicar que a condenada não participou de nada.

Para a atriz, não houve nem mesmo a possibilidade de encontrá-la para desenvolver melhor a personagem. “A produção nunca quis ter nenhum tipo de envolvimento com ninguém do caso real. Ou seja: os envolvidos não têm nenhuma ligação com as produções dos filmes”, explica.

“A Menina Que Matou os Pais” e “O Menino Que Matou Meus Pais” mostram duas versões diferentes que podem ajudar a entender um pouco melhor um dos crimes que mais chocou o país.