2 de março de 2021

Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Ministério da Saúde fará sugestão no Conselho de Secretários Estaduais e Municipais de Saúde (Conass/Conasems) para um acordo de que as reservas de doses da vacina contra a Covid-19 de cada Estado sejam destinadas ao Amazonas. O objetivo é que o maior número possível de pessoas sejam imunizadas contra a doença no maior Estado da federação.

A proposta ocorre depois que o número de casos e internações triplicou em janeiro com o surgimento da nova variante do novo coronavírus. A P.1 está por trás de 90% dos registros, segundo pesquisa realizada pela Fiocruz. A informação foi publicada nesta quinta-feira, 11, pelo Jornal Folha de São Paulo.

O Amazonas já recebeu desde janeiro cerca de 555 mil doses de vacinas contra a Covid-19. As doses têm sido aplicadas em profissionais de saúde e idosos acima de 70 anos. Mesmo com o média de vacinas aparentemente promissora, o número está longe de ser o ideal para que a população do Estado se sinta mais segura.

A estratégia estaria atrelada à chegada de novas doses de vacinas, “de forma que não implique a falta de vacinas para os demais estados”, informa a nota do ministério. A pressão pelo aumento da cota de vacinas destinadas ao Amazonas se dá pela orientação de personalidades da comunidade científica que cada vez mais indicam uma vacinação em massa no Amazonas, para conter a proliferação da variante P.1.

A pasta comandada pelo ministro Eduardo Pazuello irá sustentar a proposta e apresentar alternativas. “Esta medida será proposta ao Conass (Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde) e ao Conasems (Conselho dos Secretários Municipais de Saúde) e implementada com o apoio do Ministério da Defesa”, completa a pasta.

Prazo para compra

Na última terça-feira, 9, a juíza Jaiza Fraxe, da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas, determinou que a União se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre o pedido de compra de novas doses de vacinas contra a Covid-19 para imunizar 70% da população de Manaus e mais sete municípios do Estado, em 30 dias. O número do processo é: 100 1975-43.2021.4.01.3200.

“Considerando os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, os quais garantem o equilíbrio entre as partes, e a urgência do caso, intime-se a parte ré, bem como o Ministério Público Federal, exatamente nessa sequência, para que se manifestem previamente acerca do pedido de tutela antecipada no prazo de 48 horas”, disse no despacho a magistrada.

A determinação atendeu uma Ação Civil Pública ajuizada pelas Defensorias Públicas do Estado Amazonas (DPE-AM) e da União (DPU) e contempla, além da capital, Manacapuru, Tefé, Iranduba, Itacoatiara, Parintins, Coari e Tabatinga, em razão da grave situação epidemiológica desses municípios.

Análise

Para o epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana, há estratégia de vacinação em massa para Manaus, para que alcance 70% da população elegível e no menor espaço de tempo possível, de preferência meses antes do fim de 2021, é medida potencialmente efetiva em termos sanitários, já que contém, ao menos, a circulação viral na cidade e nos municípios em constante contato com a capital.

De acordo com o pesquisador, a medida, “de cunho sanitário e humanitário”, reduz gastos, adoecimento e mortes evitáveis, além de reduzir ainda a chance do aparecimento de novas e ameaçadoras mutações do Sars-Cov-2.

“Como também pode oferecer respostas sobre: o processo de imunização e suas repercussões sobre novas variantes; o padrão de respostas imune em pacientes previamente infectados ou não, considerando diferentes cenários de imunização, seja com esquema completo/incompleto; e, também, em relação ao monitoramento robusto de eventuais eventos adversos pós-vacinação”, apontou o epidemiologista.

(*) Com informações da Folha de São Paulo

Despacho-9