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15 de junho de 2021
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Com informações da Folha de S. Paulo

LISBOA – O médico brasileiro Victor Sorrentino — detido no Egito sob acusação de ofensa de teor sexual contra uma vendedora muçulmana em um vídeo publicado em suas redes sociais — oferecia consultas em Portugal sem ter o diploma de medicina validado no país europeu. Cada consulta custava até 350 euros (cerca de R$ 2.100).

Além de divulgar os atendimentos em Lisboa e no Porto via redes sociais, Sorrentino ainda tinha em seu site uma área dedicada especialmente ao agendamento de consultas em Portugal. A página, no entanto, foi removida nessa sexta-feira, 4, após o questionamento da reportagem.

O nome de Victor Sorrentino não consta na lista dos profissionais aptos a exercer a medicina legalmente em Portugal. A Ordem dos Médicos, entidade que regula o setor, confirmou que ele não está entre os profissionais registrados no país.

Médicos formados em universidades brasileiras, como é o caso de Victor Sorrentino, são obrigados a passar por um rigoroso processo de validação de diplomas antes de poderem atuar em Portugal. Além da análise da documentação da faculdade, precisam se submeter a exames teóricos e práticos.

A Ordem dos Médicos só pode abrir processos e agir disciplinarmente em relação a profissionais que estejam devidamente registrados. Denúncias de eventual exercício ilegal da medicina precisam ser encaminhadas à Justiça.

Nas redes sociais, pacientes registraram em fotos atendimentos entre 2017 e 2019. De jaleco, Sorrentino normalmente aparece sorridente nas imagens.

Site do médico brasileiro Victor Sorrentino disponibilizava página para agendamento de consultas em Portugal
Site do médico brasileiro Victor Sorrentino disponibilizava página para agendamento de consultas em Portugal (Reprodução/Internet)

A reportagem obteve emails trocados, em março de 2018, entre uma brasileira interessada nas consultas em Portugal e a mulher que cuidava da agenda lusitana de Sorrentino. Na ocasião, o atendimento era feito em parceria com um nutricionista brasileiro, também de passagem por Portugal.

“As consultas serão contínuas, ou seja, os profissionais virão de 2 a 3 vezes ao ano para Portugal, dessa forma garantindo o acompanhamento e eficácia nos tratamentos dos pacientes”, diz um trecho da mensagem.

Para garantir a vaga, era preciso enviar o comprovante de pagamento adiantado da consulta, no valor de 350 euros.

Um médico português, que pede para não ter seu nome divulgado, diz que os atendimentos de Victor Sorrentino sem a validação do diploma são conhecidos há mais de dois anos entre vários profissionais do setor.

Ele relata sua própria indignação e de colegas, chamando a atenção para o fato de, em Portugal, uma consulta com um médico especialista custar normalmente em torno de 100 euros (aproximadamente R$ 616) em consultórios privados.

O caso

Com quase 1 milhão de seguidores —incluindo celebridades e até uma deputada portuguesa— o Instagram do médico brasileiro passou a ter acesso restringido depois da polêmica no Egito. O médico usou a rede social para publicar um vídeo de uma conversa entre ele e uma vendedora de papiro no país árabe. A jovem era muçulmana.

Detalhe de vídeo publicado pelo médico brasileiro Victor Sorrentino em redes social mostra ofensa a vendedora egípcia
Detalhe de vídeo publicado pelo médico brasileiro Victor Sorrentino em redes social mostra ofensa a vendedora egípcia (Reprodução)

Aos risos, o médico fez perguntas de conotação sexual, como “Vocês gostam mesmo é do bem duro, né?” e “Comprido também fica legal, né? O papiro comprido”. Sem entender os comentários, a jovem aparece concordando e sorrindo. Com a repercussão do caso, o médico apagou o vídeo e pediu desculpas, afirmando ser “muito brincalhão”.

Sorrentino acabou sendo detido no último domingo, 30, pelas autoridades egípcias. O Ministério Público do país informou que o brasileiro é acusado de fazer insinuações sexuais, “atacando os preceitos e os valores da família e da sociedade egípcia, violando a vida privada da vendedora e utilizando uma conta eletrônica para cometer esses crimes”.