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25 de janeiro de 2022
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Ao longo dos últimos três anos, diversos artistas abordaram e adotaram de maneira mais intensa e aberta a pauta LGBTQIA+, seja como aliados dos direitos da comunidade, ou em defesa de alguém que sofreu um constrangimento desencadeado pelo preconceito. Na esteira desses acontecimentos, vários nomes conhecidos nas mídias também resolveram assumir publicamente relacionamentos com pessoas do mesmo sexo ou expor com mais detalhes alguns pontos que envolvem a temática da sexualidade e gênero. Iniciativas consideradas importantes, pois promovem a representatividade e a diversidade em um país onde nem sempre é possível ser quem se é de forma segura e digna. Uma vez que, somente no ano passado, 237 pessoas LGBT foram vítimas de mortes violentas, segundo consta no relatório do Observatório de Mortes Violentas no Brasil.

Ignorando os julgamentos e as críticas, artistas de vários segmentos, como a cantora Anitta, o ator Marco Pigossi, a cantora Daniela Mercury, a atriz Bruna Linzmeyer, o ator e ex-modelo Carmo Dalla Vecchia foram exemplos de celebridades que falaram abertamente sobre a sexualidade. Na leitura do psicólogo Adan Renê Silva, a atitude desses artistas e pessoas com visibilidade auxilia na fomentação do assunto em âmbitos diversos e pode render resultados positivos.

“Na verdade, a questão da representatividade está muito ligada à visibilidade e quando uma pessoa famosa ou com nome de peso se assume LGBTQIA+ isso, de alguma forma, ajuda a naturalizar o debate e a mostrar que isso não é algo de outro mundo e que elas, independente de serem LGBT ou não, conseguiram galgar um lugar de respeito”, destaca o psicólogo.

Além de ampliar a representatividade, Adan ressalta que posicionamentos assim encorajam aqueles que precisam apenas de uma inspiração e incentivo na hora de tocar no assunto. “Muitas vezes, quando essas pessoas falam sobre essa questão abertamente, pessoas LGBTQIA+ aproveitam essa visibilidade possivelmente positiva para trazer à tona o assunto nos seus devidos círculos de convívio”, considera.

Voz e acolhimento

Cada vez que um cargo de visibilidade é conduzido por um LGBT, o sentimento de pertencimento e acolhimento sobressai, atuando como ferramenta de combate à LGBTfobia, reforçando o conceito de que pessoas LGBTs podem estar onde quiserem.

O ativista e artista amazonense Pedro Paulo, de 30 anos, que dá vida à drag queen Aurora Boreal acredita que, muito além dos famosos engajados na causa e assumidamente LGBTs, é necessário ter cautela e respeitar a si próprio. Antes de seguir exemplos, parar e se questionar se realmente é o momento de se assumir é um dos passos a serem seguidos.

Drag Queen amazonense Aurora Boreal. (Reprodução/Divulgação)

“É sempre bacana a gente ter exemplos positivos de coragem, acolhimento, enfrentamento não só de pessoas próximas, mas de pessoas conhecidas e isso tem uma potência, a gente não pode negar. Mas, temos que nos atentar ao fato de que cada pessoa tem seu momento, realidade, fase de processar toda a situação. A linha é tênue, por isso temos que entender que não necessariamente o que aconteceu com outro vai acontecer igual conosco. Às vezes, pode ser perigoso, frustrar e ser ainda pior”, destaca o ativista, que complementa:

“Acho importante a gente ter essa noção de que o tempo do outro, tanto para “sair do armário” quanto a reação que a família vai ter são processos diferentes. E acho legal ver que, a cada ano que passa, mais pessoas falam de forma mais consciente sobre o assunto, nos fortalecendo, promovendo empatia e respeito”, finaliza.

Veja alguns artistas LGBTQIA+:

Sérgio Mamberti – O artista, de 82 anos, morreu em setembro deste ano. Ator, produtor e diretor revelou ser bissexual por meio de um livro de memórias. Mamberti foi casado com Vivian Mehr, com quem teve três filhos. Após o falecimento de sua esposa, Sérgio dividiu a vida com outro homem, por mais de 30 anos.

Ator Sérgio Mamberti.  (Aline Arruda/Divulgação)

Camila Pitanga – Em novembro de 2019, a atriz global Camila Pitanga revelou que estava namorando uma mulher, a artesã Beatriz Coelho. Na época, em entrevista ao colunista Léo Dias, Camila falou sobre o início da relação com Beatriz. “O namoro surgiu como qualquer outro, depois de um interesse mútuo e tempo de conversa e conhecimento”, disse a atriz.

Camila Pitanga e a então namorada Beatriz Coelho. (Reprodução/ Instagram)

Anitta – A cantora causou ao revelar ser bissexual. Em entrevista ao site espanhol Shangay, a artista afirmou gostar de homens e mulheres há mais de dez anos e que sua família respeitava sua bissexualidade. “Bissexualidade tem sido uma realidade para mim há muito tempo, mais de dez anos (…) E meu irmão, todos ficam quietos sobre o assunto, agem normalmente. Eu tive muita sorte com minha família. Não é que minha mãe ame esse fato, mas sempre me amou como eu sou, me respeita”, disse a cantora.

Cantora Anitta. (Reprodução/ Divulgação)

Carmo Dalla Vecchia – Em julho deste ano, o ator e ex-modelo Carmo Dalla Vecchia assumiu ser um homem gay.  Casado, há 16 anos, com o autor João Emanuel Carneiro, o ator disparou: “É uma música que fala basicamente sobre sororidade, sobre empatia, sobre família e eu, pessoalmente, agora, gostaria de fazer uma homenagem muito grande à minha família e declarar o meu amor ao meu filho Pedro e ao meu marido João”, declarou o ator.

O ator Carmo Della Vecchia, assumiu ser casado com outro homem no programa Domingão do Huck. (Reprodução/Instagram)