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18 de maio de 2021

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Com informações do O Globo

MANAUS – A pedido do presidente Joe Biden, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, se reuniu nessa segunda-feira com integrantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) depois que a entidade solicitou, no mês passado, a abertura de um “canal direto” de comunicação com os EUA sobre assuntos ligados à Amazônia brasileira.

A conversa acontece às vésperas da cúpula sobre o clima organizada pelo governo americano, que será realizada de modo virtual entre os dias 22 e 23 de abril. O presidente Jair Bolsonaro foi convidado e vai participar.

O encontro, marcado a princípio apenas com a Apib, acabou contando com presença de  indígenas ligados ao agronegócio e atividades garimpeiras e mineradoras, indicados pela  Fundação Nacional do Índio (Funai), o que gerou certo desconforto na reunião agendada apenas para discutir medidas de proteção ao meio ambiente e preservação das florestas, apurou O Globo.

Chapman iniciou a conversa, toda em português, dizendo que os Estados Unidos têm grande preocupação com a questão climática e ressaltou a importância da preservação das florestas nesse contexto. E disse que estava ali para ouvir as demandas dos indígenas sobre a questão. Além de Chapman, Jonathan Pershing, que serviu como enviado especial do Departamento de Estado para mudanças climáticas no governo Obama, e agora assessora John Kerry no posto, esteve na reunião que durou 1h30.

“Foi um conversa formal e bem protocolar, mas, como o próprio embaixador disse, esse é o  primeiro de muitos diálogos que virão”, afirma Sonia Guajajara, que participou do encontro como coordenadora-executiva da Apib.

Metas ambientais

Em março, a Apib enviou uma carta a Biden e ao seu enviado especial para o clima, John Kerry, na qual pediu um “canal direto” de comunicação com o governo dos EUA. Entre outras demandas, o documento listava uma série de ameaças enfrentadas pelos indígenas durante o Governo Bolsonaro, como  o aumento no desmatamento e o apoio a projeto de lei que libera a mineração em terras indígenas, além do enfraquecimento de órgãos de fiscalização ambiental.

A carta questionava até que ponto o governo brasileiro iria se comprometer com as metas ambientais mais ambiciosas cobradas de Bolsonaro por Biden em carta enviada ao presidente em fevereiro. Na reunião de ontem com Champan, a Apib voltou a reafirmar os pedidos de retomada da demarcação de terra indígenas e do fortalecimento de mecanismos de rastreabilidade e transparência para a venda e compra de commodities brasileiras, proibindo a aquisição de produtos derivados de áreas de conflitos, de terras indígenas, de áreas de desmatamento e que faça uso da exploração do trabalho escravo.

No documento, ao qual O Globo teve acesso, a entidade pede ainda a retomada do Plano de Combate ao Desmatamento na Amazônia e que o governo brasileiro reafirme as promessas feitas à ONU, no âmbito do Acordo de Paris para o clima, para acabar com o desmatamento, e o aumento de ambição na redução de emissão de gases de efeito estufa. Ao fim do documento enviado à Embaixada dos EUA, a Apib pede ajuda para o país obter recursos para projetos de reflorestamento e restauração da Floresta Amazônica, do Cerrado, da  Mata Atlântica e de outros biomas brasileiros.

“É fundamental que o presidente Joe Biden estabeleça um diálogo junto ao governo brasileiro com bases na garantia da preservação da vida e da biodiversidade do planeta em contraponto ao fortalecimento de políticas anti-indígenas”, diz  documento.

O Globo apurou que uma nova reunião entre o governo americano e os indígenas deve ocorrer em duas semanas, mas que somente questões ligadas à preservação do meio ambiente serão analisadas, e que nada além disso será considerado.