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15 de outubro de 2021
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Com informações da Folha de S. Paulo

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira, 10, que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prepara um parecer para desobrigar do uso da máscara quem já foi vacinado contra a Covid-19 ou quem já se infectou com o coronavírus.

“Acabei de conversar com um tal de Queiroga, não sei se vocês sabem quem é. Nosso ministro da Saúde. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados para tirar este símbolo que, obviamente, tem a sua utilidade para quem está infectado”, afirmou o presidente.

O anúncio foi feito durante um evento no Planalto de anúncio de medidas para o setor de turismo. Queiroga não estava na solendidade, mas estava no palácio. O ministro da Saúde participava de uma reunião com os colegas Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura), Marcos Pontes (Ciênciar) e Carlos Alberto França (Relações Exteriores) para discutir o uso de instalações de fábricas veterinárias para a produção de vacinas contra a Covid.

O presidente seguiu dizendo que, pelo protocolo adotado no Brasil, quem está infectado deve ficar em casa. “Se bem que para nós, o nosso protocolo para quem está infectado, este, sim, fica em casa. Não aquele fica em casa todo mundo. A quarentena é para quem está infectado, não é para todo mundo, porque isso destrói empregos, mata de outra forma o cidadão”, afirmou.

Ao chegar à cerimônia, Bolsonaro estava de máscara. Um segurança que, antes da chegada do mandatário estava sem o equipamento de proteção, foi orientado a cobrir o rosto e retirou uma máscara cirúrgica do bolso do paletó. Pouco depois do anúncio do presidente, Queiroga concedeu no início da noite desta quinta uma entrevista na frente da Ministério da Saúde. “Queremos que [o não uso da máscara] seja o mais rápido possível, mas para isso precisamos vacinar a população brasileira e avançar”, disse o ministro.

Questionado se avalia que houve pressão de Bolsonaro, Queiroga negou. “O presidente não me pressiona, não. Sou o ministro dele e trabalhamos em absoluta sintonia. E assim funcionam as democracias do regime presidencialista. E o presidente sempre nos aconselha de maneira muito própria. E levo a ele os subsídios para que tenhamos as melhores decisões em relação à saúde pública”, disse.

Apesar da proposta do presidente, uma pessoa pode transmitir o vírus mesmo que esteja vacinada e sem apresentar sintomas. Como ainda há pouquíssimos vacinados no Brasil e alta circulação do coronavírus, o risco de alguém que tomou a vacina contrai-lo e transmiti-lo, mesmo sem ficar doente, para quem ainda não esteja protegido é bem grande.

Desde que assumiu o cargo, Queiroga tem se posicionado a favor do uso de máscaras. “A pátria de chuteiras agora é a pátria de máscaras”, disse no fim de março. Ao longo dos últimos meses, o ministro também tem dito que o uso de máscaras e distanciamento são importantes como medidas de prevenção e para a “retomada da economia”.

Questionado em depoimento na CPI da Covid nesta semana se orientava o presidente a usar a proteção, o ministro respondeu: “Evidentemente que sim”. No entanto, aos senadores, ele evitou comentar sobre a postura de Bolsonaro, afirmando que se trata de “ato individual”. “Não vou fazer juízo de valor a respeito da conduta do presidente da República”, disse.

Em maio, o Ministério da Saúde lançou uma campanha sobre medidas de prevenção contra a Covid, com o mote “o cuidado é de cada um, o benefício é de todos”. Um dos vídeos da iniciativa traz a família do personagem Zé Gotinha de máscaras e cita outras ações, como lavar as mãos e distanciamento.

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