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18 de maio de 2021

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Matheus Pereira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Desde a decisão do ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular as condenações impostas pelo ex-juiz Sergio Moro ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a qual permitiu que ele retomasse seus direitos políticos, o petista voltou a ser a principal “ameaça” ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em uma possível disputa eleitoral para o principal cargo do executivo em 2022. Em Manaus, o clima de polarização política tem ficado evidente em outdoors espalhados pela cidade. Uma dessas plataformas de publicidade que demonstrava apoio ao ex-presidente Lula, na zona Leste da capital amazonense, chegou a ser alterada por apoiadores de Bolsonaro.

Em 2018, o então candidato pelo PSL derrotou o petista Fernando Haddad no 2° turno com 55,13% dos votos contra 44,87% do adversário. A retomada dos direitos políticos de Lula reacendeu mais uma possível disputa entre Bolsonaro e um representante do PT. Durante os últimos meses, o presidente tem tido como seu principal adversário político, principalmente por conta de decisões relacionadas à pandemia de Covid-19, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB).

Na última terça-feira, 13, o Senado instaurou a CPI da Covid, que investigará as ações e omissões do governo federal e o colapso da saúde no Amazonas. Para o cientista político, Marcelo Seráfico, ainda que haja certo frisson para discutir a sucessão de Bolsonaro agora, este não é o momento oportuno, tendo em vista as mais de 360 mil mortes por Covid-19 no Brasil.

Mesmo com o atual cenário apontado pelo especialista, os apoiadores tanto de Bolsonaro, quanto de Lula, já pensam em uma possível disputa entre os políticos. Se por um lado os eleitores do ex-presidente “querem Lula de novo”, os do capitão reformado o enxergam como a “última barreira contra o comunismo”.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro também têm usado os outdoors para ‘levantar a bandeira’ do chefe do Executivo (Reprodução)

Seráfico alega que ainda é muito cedo para avaliar o processo eleitoral, mas afirma que promove uma alteração substantiva no processo político nacional, que a princípio não está ligada à polarização, mas sim às decisões do presidente em meio à pandemia. “A primeira mudança, que nada tem a ver com polarização, é a discussão sobre os grandes desafios do Brasil e a tentativa sistemática, de Bolsonaro, de reduzir a política a ações diversionistas. Isso somado ao agravamento da catástrofe econômica e pandêmica tem efeitos significativos sobre a popularidade dele”, apontou.

O especialista afirma que alguns fatores fazem com que a própria permanência de Bolsonaro na presidência seja uma incógnita e aponta ser impróprio e precipitado falar em reeleição. “Juntamente com a restituição dos direitos políticos do ex-presidente Lula, o agravamento da crise econômica e da crise pandêmica, a CPI da Pandemia tende a ser outro fator a contribuir para o esclarecimento do sentido antipopular, profundamente elitista, do atual governo”, finalizou.