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25 de janeiro de 2022
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A “Irmã Marina”, como gosta de ser chamada a vendedora ambulante Marina Soares, de 59 anos, contou, neste domingo, 28, que as vendas de “canetas ungidas” para os candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) caíram mais que a metade em 2021, por conta da baixa quantidade de pessoas que compareceram à prova neste segundo dia do exame. As canetas são vendidas por ela há mais de 10 anos para ajudar os estudantes que acreditam no poder da fé.

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“As vendas caíram, principalmente, por conta da pandemia quando as pessoas puderam fazer as provas de forma on-line. Posso dizer que caiu 70%. Mas, para o ano, vai ser melhor, se Deus quiser. A caneta é ungida por mim. Eu oro em cima (da caneta), uso o óleo ungido que representa o Espírito Santo. Quem crê vai fazer uma boa prova”, disse a vendedora à REVISTA CENARIUM.

As canetas ungidas são vendidas pela Irmã Marina, em Manaus. (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

Na semana passada, o Amazonas foi o Estado que registrou a maior quantidade de faltosos no primeiro dia de Enem, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ao todo, a taxa de abstenção nas provas presenciais no Estado foi de 40,6%, enquanto nas provas on-line, a taxa de ausentes foi de 46%. No Brasil, a média de faltosos foi de 26%.

De olhar forte e mãos calejadas, Marina vende as canetas ungidas para ajudar os candidatos. Ela acredita que, com o poder da fé, os estudantes podem chegar ao objetivo de realizar uma boa prova. “Sem fé, é impossível agradar a Deus. Não conseguimos prova, salvação, saúde. A fé é genuína e inabalável”, declarou.

Força e fé

Com uma folha escrita uma oração, a ambulante segura as canetas e o óleo para vender aos consumidores. (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

Marina é evangélica e se orgulha em afirmar que faz parte da Igreja Assembleia de Deus, na Avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus, próximo ao local onde mora. Apesar de viver em Manaus, a vendedora é natural de Salvador e lembra que começou a trabalhar aos 4 anos.

“Eu comecei a trabalhar catando pimenta na roça, passando a mão na pimenta nos olhos e chorando. Mas, eu vim para Manaus e já tenho 36 anos aqui. Hoje, a única ajuda que recebo são de pessoas aqui na frente da faculdade, de alunos que ajudei na época em que estudavam, além de uma empresa de limpeza que presto serviço e o auxílio do governo. São pessoas que me abençoam e eu as abençoo de volta”, concluiu.