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26 de janeiro de 2022
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Carol Givone – Da Revista Cenarium

MANAUS – Profissionais de saúde divergem sobre o uso da cápsula de Ventilação Não Invasiva (VNI), no tratamento da insuficiência respiratória aguda, causada pela COVID-19. A Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva (Assobrafir), divulgou um estudo na semana passada, que aponta altas taxas de falha e maior risco de disseminação do vírus no ambiente hospitalar.

Segundo a Assobrafir, o alto fluxo de gás do VNI é menos contido do que nos circuitos fechados, típicos da Ventilação Invasiva (VI), tradicionalmente usada na intubação dos pacientes com quadros de insuficiência respiratória aguda.

Para a entidade, o VNI aumenta o risco de dispersão de vírus em ambientes hospitalares, que não dispõe de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) adequados, como os capacetes aos profissionais de saúde.

A Assobrafir afirma que mesmo em tempos difíceis, a assistência aos pacientes com Covid-19 sem o necessário respeito aos princípios científicos, pode limitar nossa capacidade coletiva de avaliar corretamente a efetividade de ações e dispositivos terapêuticos, assim como, devido à ausência de evidências científicas, colocar pacientes e profissionais em risco.

Tempos de guerra

O grupo Samel, responsável por uma rede de hospitais particulares de Manaus, tem tido sucesso no uso do VNI. Pacientes tratados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, têm apresentado melhoras e recebido alta.

Por meio de nota, Ricardo Nicolau, diretor do Grupo Samel se pronunciou sobre o VNI. Para ele, o momento é de “guerra”, e não há tempo para esperar a conclusão de pesquisas.

“A Cápsula tem demonstrado bons resultados em todas as unidades de saúde em que está sendo utilizada. Até o momento, mais de 100 pacientes de Covid-19 foram submetidos com sucesso a esse equipamento. Contudo, o uso da cápsula não inviabiliza outras terapias, se a equipe médica identificar é necessário entubar o paciente, será feito”, explica.

“É importante ressaltar que a Cápsula não ajuda apenas na cura do paciente, mas possibilita outras terapias que não seriam possíveis com a intubação oro traqueal; a exemplo de uma simples nebulização. Outra vantagem é proteger os médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas que têm contato direto com os pacientes. Portanto, o momento de guerra que estamos vivendo, não nos permite simplesmente parar tudo para fazer estudos científicos, porque assim correríamos o risco de perder muitas vidas. Não podemos esperar a conclusão de pesquisas, que naturalmente levam tempo, para colocar em prática algo que estamos vendo dar certo diariamente”, conclui.

Estrutura da cápsula

A equipe médica da Samel desenvolveu a cápsula de ventilação em parceria com a empresa Transire. O projeto ficou conhecido como “Vanessa”, após a cura da primeira paciente a ser submetida ao procedimento. Segundo os médicos da iniciativa, os pacientes são tratados, em média, por cinco dias.

O invento possui estrutura de PVC e filtros de controle de temperatura e umidade. Além de controlar esses níveis, a capsula tem ação antibacteriana, e ainda produz pressão negativa no interior, que segundo os idealizadores, impede que a circulação do ar para a área externa. O Hospital de Campanha Municipal Gilberto Novaes (HCMGN), também fará uso da capsula para tratar os pacientes nos 100 leitos disponibilizados