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17 de abril de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O cerrado perdeu 734.010 mil hectares de vegetação nativa em 2020, um aumento de 13,7% ao ano anterior, quando foram desmatados 648.340 hectares. Os números fazem parte do relatório do consórcio Chain Reaction Research, divulgado em 31 de março deste ano.

O cerrado fica localizado na região central do País e abrange os Estados de Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Bioma ocupa aproximadamente 24% do território brasileiro.

Sendo o segundo maior bioma brasileiro, menos de 10% de toda da área está protegida em Unidades de Conservação (UC), terras indígenas e territórios quilombolas. O ambientalista Carlos Durigan diz que originalmente o bioma era utilizado por culturas de baixo impacto, indígenas e não indígenas, estabelecidas em todo o Brasil central.

Atividade

“No entanto, desde os anos 80, com o desenvolvimento de variedades de soja mais resistentes e adaptadas ao clima e solo da região, levou a um crescimento vertiginoso do agronegócio sobre o bioma e a sua degradação ambiental está diretamente ligada a este tipo de atividade”, reforçou o ambientalista.

A destruição do cerrado, conforme o relatório, é ocasionado principalmente por conta da expansão agrícola. “O aumento do desmatamento ligado à soja, gado e especulação de terras ameaça perturbar os sistemas naturais de água, os padrões climáticos regionais e a produtividade agrícola de longo prazo na região”, diz trecho do estudo.

“Entendo que o agronegócio é importantes ao país, mas deveríamos também promover o uso racional e sustentável do solo e das águas. E ainda garantir que tenhamos espaços protegidos para a biodiversidade e sua gente, seja pela criação e consolidação de unidades de conservação, seja pelo respeito ao território de vida de povos indígenas e quilombolas”, destacou o ambientalista.

Mapa do IBGE mostra os biomas brasileiros (Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

Os dados foram obtidos a partir do cruzamento dos alertas de desmatamento emitidos pelo Sistema de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes) e pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) com imagens de satélite.

O levantamento aponta ainda que o desmatamento em terras privadas representou 66,7%, enquanto as terras públicas representaram 19,2% e o restante em terras sem designação legal. Além disso, um total de 207.813 hectares de desflorestação, em 2020, ocorreu em fazendas que já possuíam áreas de plantio de soja. “A CRR estima que 28,3% do desmatamento total do Cerrado estava relacionado à expansão da soja”, reforça a instituição, no relatório.

Pontos em vermelho indicam as áreas de desmatamento do cerrado (Reprodução/Prodes)

Terras públicas que incluem assentamentos rurais, terras indígenas, unidades de conservação naturais e terras federais e estaduais. Segundo o estudo, a destruição dessas regiões chegou a 141.186 hectares, em 2020. Outros 96.608 hectares foram desmatados em terras que estão registradas como públicas e privadas, principalmente de conservação unidades que permitem o uso sustentável do solo.

“É preciso que se limite o uso de agrotóxicos no bioma, além do desmatamento, o aumento expressivo da atividade agrícola industrial tem crescido muito rapidamente. Assim como o uso de produtos químicos em grandes quantidades, afeta a saúde não só dos produtores que os utilizam, mas também contaminando o ambiente e as águas e alimentos que consumidos nas cidades, também geram problemas de saúde para as populações urbanas”, finaliza Duringan.