Com destruição do tamanho de Fortaleza, desmatamento da Amazônia atinge pior fevereiro em 15 anos

Iury Lima – Da Revista Cenarium

VILHENA (RO) – Mesmo sendo o mais curto do ano, o mês de fevereiro terminou com saldo extremamente negativo para a maior floresta tropical do planeta, que vem perdendo seus mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, ano após ano, em ritmo acelerado. Em apenas 28 dias, uma ferida do tamanho da cidade de Fortaleza, capital do Ceará, foi aberta na Amazônia; uma destruição de 303 quilômetros quadrados de mata nativa, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O estudo foi divulgado nesta sexta-feira, 18, e revela que este foi o pior fevereiro, em 15 anos, para o maior bioma brasileiro. “Um ano após atingir a maior derrubada da Floresta Amazônica, em pelo menos 14 anos, o Brasil caminha para um novo recorde negativo de desmatamento em 2022”, alerta o instituto.

Desmatamento em Mato Grosso, Estado que liderou o ranking mensal (Christian Braga/Greenpeace)

Ferida que não sara

O desmatamento da Amazônia tem sido tão crescente que se assemelha a uma ferida aberta difícil de sarar. Na comparação feita pelo Imazon, entre fevereiro deste ano e o mesmo período de 2021, o aumento da perda de mata virgem foi de 69%. No ano passado, fevereiro terminou com 179 quilômetros quadrados de árvores e vegetação arrancados.

Fevereiro foi, portanto, o segundo mês de 2022 em que o desmatamento apresentou crescimento em relação às taxas mensais de 2021: em janeiro, a derrubada de florestas foi 33% maior do que no ano anterior. 

Para a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, além de indicar “um ritmo intenso”, o aumento das taxas de destruição do bioma é “bastante preocupante”. “Principalmente, porque nós estamos em um período onde a destruição costuma ser menor devido à ocorrência de chuvas e, por isso, as altas taxas de desmatamento não são identificadas no monitoramento”, explicou Amorim à CENARIUM

“Além da destruição dos recursos naturais, o desmatamento contribui com o aquecimento global que, por sua vez, impulsiona as mudanças climáticas, que são as responsáveis pelas secas prolongadas e as chuvas intensas, por exemplo; algo que foi bastante comum, no País, nos últimos tempos”, alertou a pesquisadora.

A pesquisadora do Imazon alerta que o ritmo de destruição é “preocupante” e contribui para o Aquecimento Global (Imazon/Reprodução)

‘Trindade’ do desmatamento

Três Estados integrantes da Amazônia se destacaram com as taxas mais elevadas de desmatamento: Mato Grosso, com 32%; Pará, com 27% e o Amazonas, com 24%. A lista segue com Rondônia, Maranhão, Roraima e Acre, respectivamente. Tocantins e Amapá apareceram sem registros de taxas de destruição.

Ranking do desmatamento em fevereiro

EstadoÍndice de desmatamento em fevereiro
Mato Grosso32%
Pará27%
Amazonas24%
Rondônia10%
Maranhão3%
Roraima3%
Acre 1%
Mato Grosso, Pará e Amazonas lideram o ranking de desmatamento (Fonte: Imazon)

“Caso não haja ações efetivas de combate ao desmatamento por parte dos governos, infelizmente, o Brasil estará caminhando para um novo recorde negativo no ano de 2022. Isso é bastante preocupante, porque no ano de 2021 nós já tivemos a maior área devastada dos últimos 14 anos”, disse Larissa Amorim. 

Fiscalização e punição

Por mais que zerar o desmatamento seja uma meta extremamente difícil e audaciosa, a pesquisadora do Imazon diz o que pode ser feito para diminuir as taxas de destruição da Floresta Amazônica: “é necessário intensificar as ações de fiscalização, priorizando aquelas áreas mais críticas em relação à devastação”, sugeriu, acrescentando, ainda, que na mesma medida, é preciso identificar e punir os responsáveis pela devastação. 

“Assim, conseguiremos garantir o cumprimento das leis ambientais e minimizar a crescente destruição na região”, concluiu a especialista. 

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