Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
16 de setembro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – A queda dos sistemas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tem causado preocupações em pesquisadores. Desde o dia 24 de junho, o sistema, que engloba as Plataformas Lattes e Carlos Chagas, com o currículo científico de todos os profissionais da ciência e tecnologia do País, está indisponível. À CENARIUM, pesquisadores renomados da Amazônia apontaram o descaso com o qual a ciência é tratada no Brasil.

Apenas no Lattes estão inclusos o Currículo Lattes, o Diretório de Grupos de Pesquisa, Diretório de Instituições e o Extrator Lattes. As plataformas são utilizadas não apenas como uma “vitrine” da pesquisa, com a trajetória profissional dos pesquisadores, mas também para concorrer a novos editais, prestação de contas, e ainda na hora de se candidatar a projetos e vagas de iniciação científica, mestrado e doutorado.

O biólogo e mestre em Ecologia Lucas Ferrante, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), pontuou que a instabilidade do sistema é, além de prejudicial aos pesquisadores, consequência da redução de investimentos em pesquisa científica e tecnológica. O valor reservado pelo governo federal para estes investimentos em 2021 é de R$ 2,7 bilhões, 15% a menos do que em 2020 e 58% a menos do que em 2015.

“Isso [a instabilidade] paralisa a produção científica brasileira e paralisa vários trabalhos de pesquisa. Esse desmonte da ciência brasileira vem acontecendo desde 2015. Após o impeachment da presidenta Dilma [Rousseff], o Brasil teve uma queda de investimentos em ciência e tecnologia, e no Governo Bolsonaro essa queda se acentuou, representando um retrocesso de mais de 20 anos nos investimentos”, pontuou Ferrante.

O cientista Lucas Ferrante (Reprodução/Video/The Intercept)

Instabilidade permanente

Outro pesquisador de grande relevância na Amazônia que destacou o descaso do governo com a ciência foi o epidemiologista do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), Jesem Orellana. Ele lembrou ainda que a instabilidade no sistema já ocorre há cerca de dois anos.

“Daqui a alguns anos, vamos lembrar deste período como algo marcado por retrocessos, em diferentes campos, o que inclui a geração de conhecimento de qualidade e competitivo. Isso acontece há meses, uma hora iria colapsar, era apenas questão de tempo. Cortes severos no orçamento para a Ciência e Tecnologia em 2019, 2020 e 2021, estão no centro das causas, enquanto o governo federal duplicava gastos, desnecessários, com publicidade. Isso é grave e demonstra o desprezo do governo”, enfatizou.

O epidemiologista Jesem Orellana (Reprodução/Arquivo pessoal)

Nas redes sociais, a indisponibilidade do sistema tem sido chamado de “apagão do CNPq”, uma referência ao desaparecimento das informações dos pesquisadores.

Esclarecimentos

Em um informe publicado no site do CNPq, o órgão informou que o “problema já foi diagnosticado em parceria com empresas contratadas e os procedimentos para sua reparação foram iniciados”. O documento destaca ainda que o CNPq dispõe de novos equipamentos e que a migração dos dados foi iniciada antes do ocorrido. “Não há perda de dados da Plataforma Lattes e o pagamento das bolsas implementadas não será afetado”, pontua ainda o informe.