24 de novembro de 2020

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Três dias após ser reeleito prefeito de Coari (a 366 quilômetros de Manaus), Adail Filho (PP) anunciou, na noite dessa quarta-feira, 18, em pedido formalizado à Câmara Municipal da cidade, a renúncia do mandato que se encerra no dia 31 de dezembro deste ano. O gestor alegou que a decisão foi tomada após problemas de saúde que vêm sofrendo ao longo de um ano e cujo quadro agravou-se com a Covid-19, na qual foi acometido há poucos dias.

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Adail, que está sendo investigado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) por suspeita de desviar R$ 100 milhões dos cofres públicos de Coari, explica no pedido que as enfermidades que vêm sofrendo exigem um tratamento médico mais eficaz e intensivo.

“Desta forma, torna-se induvidoso o meu afastamento do cargo de prefeito do município de Coari pelo restante do ano de 2020, o que garantirá a retomada plena da minha saúde, condição indispensável para exercer o meu novo mandato outorgado pelo povo coariense, cujo início se dará em 1º de janeiro de 2021”, diz trecho do documento.

Adail foi reeleito prefeito de Coari no último domingo, 15, após vencer a disputa com 60% dos votos válidos. A presidente da Câmara de Coari, Jeany Pinheiro, assume o comando da prefeitura, conforme estabelecido na lei orgânica do município, do regimento interno da Câmara.

A reportagem ainda tentou contato com Adail Pinheiro, mas os telefonemas não foram atendidos até a publicação desta matéria.

‘Reinado’

No mês passado, um estudante de direito foi à Justiça Eleitoral pedir a impugnação da candidatura de Adail Filho alegando que o político exerceria um terceiro mandato consecutivo dentro do mesmo núcleo familiar, estabelecendo uma espécie de “reinado”, já que o pai, Adail Pinheiro, ex-prefeito cassado, chegou a cumprir um ano e um mês de mandato.

À época, o pedido teve base na jurisprudência dos Tribunais Superiores, que tratam sobre as inelegibilidades do chefe do Executivo, previstas no artigo 14, parágrafo 5º, incisos 5º e 7º da Constituição Federal de 1988, como medida de evitar a perpetuação de um mesmo grupo familiar no poder. Chancelando o pedido, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) chegou a conceder um prazo de sete dias para que o então candidato apresentasse defesa.

Confira o pedido de renúncia na íntegra:

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