Em podcast, Bolsonaro diz que mandou investigar existência de cidade fictícia de Ratanabá

Segundo ele, nada sobre a inexistente civilização de 450 milhões de anos foi encontrado (Reprodução/Internet)
Com informações do Infoglobo

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, em entrevista a um programa no Youtube, no último sábado, 13, que mandou investigar a existência da cidade fictícia de Ratanabá. Trata-se de uma teoria infundada que afirma existir em meio à Floresta Amazônica, uma cidade perdida de 450 milhões de anos.

O entrevistador Rica Perrone, do canal Cara a Tapa, perguntou a Bolsonaro se ele acreditava em Ratanabá, após uma conversa sobre desmatamento da Amazônia.

“Eu tive a paciência de ver o vídeo. O que eu levantei, até o momento, é que aquele videozinho é uma coisa absurda. É meio esquisito”, diz Bolsonaro, fazendo referência ao vídeo que circulou nas redes sociais alertando sobre a inexistente cidade.

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Em seguida, o presidente diz: “Isso daí nós fomos atrás. O que eu pude investigar, o que eu mandei investigar, não achamos nada não. Agora, é um local fantástico, realmente, a Amazônia. É desconhecida ainda”.

A origem da teoria de Ratanabá está em uma série de publicações nas redes da entidade Dakila Pesquisas, que afirma ter feito a descoberta da cidade perdida.

O grupo, fundado por Urandir Fernandes de Oliveira, já teve o nome associado a outras teorias que acabaram por virar meme, como o caso do ET Bilu, conhecido pela frase ‘busquem conhecimento’. Apesar disso, a história ganhou as redes e foi replicada por diferentes influencers e canais no Twitter, TikTok e Youtube.

Na época em que a história da cidade de 450 milhões de anos viralizou, o ex-secretário de Cultura Mario Frias chegou a compartilhar uma foto sua ao lado de Urandir Oliveira nas redes sociais. Na publicação, ele diz ter tido uma reunião junto ao fundador da Dakila Pesquisas em meados de 2020. Segundo Frias, ele pretendia visitar locais indicados pela entidade como tendo evidências da cidade perdida, mas não realizou a viagem por ter sofrido um pré-infarto.

A lenda de Ratanabá ganhou, nas redes sociais, contornos de teoria da conspiração. Segundo o material que afirmava a existência da suposta cidade, seria ela o real motivo do interesse internacional na Amazônia e não o avanço do desmatamento e do aquecimento global.

No período referido pela teoria, há 450 milhões de anos, os atuais continentes ainda não existiam e estavam unidos na chamada Pangeia. A humanidade também estava, ainda, longe de dar os primeiros passos. Os mais antigos fósseis de Homo sapiens já encontrados datam de 300 mil anos atrás, apenas uma fração dos supostos milhões de Ratanabá.

Leia também: Pesquisas por ‘Ratanabá’ no Google sobrepõem informações sobre crime contra indigenista e jornalista na Amazônia

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