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1 de dezembro de 2021
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Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – Cientistas do mundo todo ainda não sabem afirmar a correta origem do novo Coronavírus, que expôs a fragilidade humana frente às ameaças biológicas e acendeu o “alerta” da comunidade mundial, sobre a manutenção de políticas públicas, voltadas para o combate as ameaças ao meio ambiente podem interferir diretamente na saúde das pessoas.

Para o ambientalista José Antônio Coutinho, existem vários impactos que podem ser observados a curto, médio e longo prazo na natureza por conta da pandemia. “O desmatamento causa de fato, uma série de desequilíbrios para o ecossistema. Entre elas, a subsistência de muitas populações que vivem nestas áreas desmatadas. Com isso temos uma perda de diversidade incalculável de seres vivos nesse momento de transição”, explica inicialmente.

Coutinho ressalta que do ponto de vista ambiental, existem impactos negativo e os positivos, e que a educação ambiental desenvolve um papel importante para uma mudança cultural e comportamental. “As fiscalizações são extremamente importantes para se manter as recomendações legais. A prevenção e a educação ambiental contribuem diretamente para promover a preservação do meio ambiente e da saúde pública”, defende.

O especialista diz que o ideal seria evitar o desmatamento, no entanto ele diz que fazer essa tarefa ter sucesso, envolve dificuldades, por não depender somente de um grupo, mas de vários conjuntos. “Como estamos em processo continuado de desenvolvimento, todos os problemas identificados devem ser resolvidos. Daí a importância da fiscalização e o processo educativo sócio ambiental”, diz.

O ambientalista diz que ainda é cedo para afirmar que durante a pandemia, houve uma redução de emissão de gases, por conta da baixa adesão ao isolamento social e a falta de mensuração. “O monóxido de carbono, hidrocarbonetos, óxidos de nitrogênio, material particulados entres outros, são fontes conhecidas que os veículos em circulação produzem. Dito isso, com o baixo fluxo nas ruas, pode ser possível que tenha ocorrido uma diminuição nas emissões”, comenta.

“Passar a boiada”

Sobre as declarações ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de “passar a boiada”, na pandemia, José pondera que a totalidade do problema dever ser visualizada. “Cada especialista possui seu ponto de vista, e no Brasil, possuímos leis suficientes para se fazer um gerenciamento dos nossos recursos. O que não temos, na verdade, é uma estrutura para atender esses diplomas legais, isso precisa ser visto e revistos suas aplicações”, pondera.

Coutinho diz que as perspectivas de futuro na questão ambiental podem ser otimistas.  “Acredito que daqui para a frente, uma nova cultura e uma nova era de preservação vai acontecer. A população começa a perceber que nossa vida, nossa saúde, depende da vida do planeta em equilíbrio. Por isso, espero que os conceitos de sustentabilidades, sejam mais difundidos e aplicados, para que possamos ter uma harmonia”, finaliza.

Pesquisa

Um relatório produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria inédita com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) destaca que, embora a taxa de desmatamento anual tenha diminuído nas últimas três décadas, desde 1990 foram perdidos cerca de 420 milhões de hectares florestais para outros usos da terra.

O relatório ainda ressalta que é necessário proteger as florestas, que abrigam a maior parte da biodiversidade do planeta, contando com cerca de 60 mil espécies de árvores, 80% dos anfíbios, 75% das aves e 68% dos mamíferos.

O estudo conduzido pelo UNEP-WCMC, para o relatório da ONU mostra que o maior aumento de áreas florestais protegidas ocorreu em florestas ombrófilas – como as tropicais. Além disso, mais de 30% de todas as florestas tropicais, subtropicais secas e temperadas estão em áreas protegidas.

Empregos e meios de subsistência

Milhões de pessoas em todo o mundo dependem das florestas para sua segurança alimentar e meios de subsistência. Esses ecossistemas fornecem mais de 86 milhões de empregos verdes e mais de 90% das pessoas que vivem em extrema pobreza dependem deles para obter alimentos, lenha e meios de subsistência. Na América Latina, por exemplo, esse número inclui 8 milhões de pessoas.