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23 de janeiro de 2022
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Victória Sales – Da Cenarium

MANAUS – Em discurso na 26ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), fez críticas as medidas sanitárias decretadas pelos governos estaduais durante a pandemia da Covid-19, além de relatar mentiras relacionadas à dados sobre o desmatamento na Amazônia. Especialistas criticaram a fala do presidente e afirmaram que o discurso é vexatório.

De acordo com o epidemiologista do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), Jesem Orellana, destaca que a reafirmar suas ideologias leigas, contrárias às medidas que visam conter a epidemia, Jair Bolsonaro acaba reforçando esse pensamento descabido entre os apoiadores e contribuindo não apenas para o prolongamento da epidemia, como também para que essas mesmas pessoas que o apoiam possam adoecer gravemente u morrer por conta da Covid-19.

“Creio que sanitaristas e epidemiologistas, cientificamente, não compreendem as razões para algo tão sem sentido, talvez psicólogos ou psiquiatras tenham mais a dizer sobre esse tipo de comportamento bizarramente desviante e, ao mesmo tempo criminoso, pois contribui para o prolongamento da epidemia e para mais prejuízos à economia e ao bem estar da população”, explicou Jesem.

Jesem explica ainda que possivelmente estejamos falando de um dos maiores desastres diplomáticos da história do Brasil. “Esse tipo de atitude afasta turistas de outros países, estrangeiros, investidores e a possibilidade de controle da epidemia, além de deteriorar a imagem do brasileiro no exterior a níveis inéditos, o que obriga muitos países sérios a proibirem a entrada de brasileiros em seus respectivos países”, relatou.

Discurso

Em discurso na Assembleia Geral, Bolsonaro defendeu o tratamento precoce contra a Covid-19, o qual a ineficácia já foi comprovada cientificamente. O presidente também afirmou que até novembro, todos os brasileiros que quiserem, poderão se imunizar, mas deixou claro que não apoia as medidas sanitárias decretadas pelos governos estaduais. “Até novembro, todos que escolheram ser vacinados no Brasil serão atendidos. Apoiamos a vacinação, contudo o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada a vacina”, disse Bolsonaro.

Vacina

Questionado sobre a medida adotada por Bolsonaro de ser o único entre os G20 a não se vacinar, Jesem afirma que mostra o que o presidente da República sempre foi. “É um agente público que vive de discórdias e isolado em realidades paralelas, além de total desrespeito e empatia, não apenas com as pessoas que estão vivas, mas com os que já morreram em virtude da Covid-19, sem a oportunidade de se vacinar e, consequentemente, de sobreviver”, destacou.

Já para o ambientalista, Carlos Durigan, é muito triste e vexatório o Brasil ter um representante que constrói uma realidade paralela para negar os fatos. “Cientistas do Brasil e do mundo têm dado o alerta de que a situação do desmatamento e a degradação da Amazônia tem se agravado. Esta postura do presidente o relaciona diretamente à construção deste cenário, justificando suas omissões e tentando esconder suas atitudes de incentivo aos crimes ambientais que avançam sobre o Bioma”, relatou.

Durigan afirma ainda que este tipo de atitude já coloca o Brasil à margem dos esforços globais de enfrentamento à mudança climática, à pandemia entre outras crises. “Deve também afetar negativamente nosso setor produtivo e nossa economia”, explicou o ambientalista.

Desmatamento

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), durante discurso na 26ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 21, afirmou que o Brasil tem grandes desafios ambientais, e que, com o fortalecimento dos órgãos ambientais, o desmatamento ilegal na Amazônia reduziu 32%, mas dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) desmentem a fala do chefe do Executivo.

De acordo com Bolsonaro, nenhum País do mundo tem uma legislação ambiental tão completa que nem a do Brasil. “Nosso código florestal deve servir de exemplo para outros países. O Brasil é um País com dimensões continentais, com grandes desafios ambientais. São 8,5 milhões de km², dos quais 66% são de vegetação nativa, a mesma desde o seu descobrimento em 1500, somente no bioma amazônico, 84% da floresta está intacta”, afirmou o presidente no discurso.