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25 de janeiro de 2022
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Iury Lima – Da Revista Cenarium 

VILHENA (RO) – Dezembro chegou trazendo Justiça para o bárbaro caso Lauanny Hester, que chocou todo o Estado de Rondônia dois anos atrás, em setembro de 2019. O pai, William Monteiro, a madrasta, Ingrid Bernadino, e a avó, Suely dos Santos Monteiro, foram condenados a mais de 150 anos de prisão por torturar e matar a menina, que tinha apenas dois anos de idade. A sentença foi definida na última quarta-feira, 1º, pelo tribunal do júri, após julgamento, no Fórum do município de Ariquemes (202 quilômetros de Porto Velho) onde o crime ocorreu.  

De acordo com o Ministério Público (MP), as agressões começaram quando Lauanny Hester Rodrigues tinha apenas 1 ano e 10 meses de idade. Também segundo o MP, a avó foi quem passou a ter a guarda da menina após as primeiras denúncias, mas permitiu que a criança voltasse para a casa do pai e da madrasta, que continuam a torturá-la, causando lesões até que Lauanny não resistisse aos episódios violentos.

De acordo com o Ministério Público (MP), as agressões começaram quando Lauanny Hester Rodrigues tinha apenas 1 ano e 10 meses de idade. (Reprodução/ Polícia Civil)

Covardia e crueldade

O ato desumano que tirou de forma brutal a vida de Lauanny Hester teve motivação fútil, como destacou o juiz Alex Balmant, ao fim da audiência de julgamento que durou dois dias. “O fato ocorreu no interior do lar, onde deveria reinar a paz e jamais a agressão, sem testemunha, durante a madrugada, cujos ataques não cessaram e continuaram pela manhã, simplesmente pelo fato da criança mexer com farinha de trigo e detergente, subir na mesa e quebrar uma lâmpada, cujo o cadáver de apenas 1 metro e 7 centímetros de estatura, apresentava várias equimoses avermelhadas de tamanhos e formatos variados, medindo até 10 centímetros, localizadas em quase todas as regiões do corpo”, revelou o juiz.

O julgamento foi presidido pelo Juiz Alex Balmant, que comoveu a todos os presentes com a leitura da sentença. (Reprodução/TJ-RO)

À CENARIUM, o Ministério Público deu detalhes sobre as agressões. “Conforme restou apurando, a primeira tortura aconteceu no dia 13 de fevereiro de 2019, em Ariquemes, quando o pai e a madrasta submeteram a criança, com emprego de violência, a intenso sofrimento físico e mental, ao espancarem a infante, que à época contava apenas com 1 ano e 10 meses. O crime resultou em fratura do braço e hematomas no rosto da menor”, detalhou o MP por meio de nota. 

“Após isso, a guarda da menor foi concedida judicialmente para a avó paterna, que, no entanto, mesmo ciente das agressões sofridas pela neta, permitiu que a criança voltasse a conviver com o pai e a madrasta, os quais, na madrugada de 21 de setembro de 2019, novamente a torturaram, desta vez, causando lesões no coração, fígado e pulmão, que foram a causa de sua morte”, acrescentou o documento. 

Condenações

O Juiz Alex Balmant disse que não resta dúvidas sobre a culpabilidade dos acusados, sendo que o pai e a madrasta estão presos desde 2019, quando cometeram o crime. Já a avó, foi presa durante as investigações, pelo fato de que não poderia entregar a criança ao pai sem autorização da Justiça. Ela também acabou condenada por ter contribuído para a morte da neta. Veja como ficam as condenações:

  • William Monteiro da Silva (pai): 57 anos e 10 meses de reclusão, inicialmente em regime fechado. 
  • Ingrid Bernadino (madrasta): 57 anos e 10 meses de reclusão, inicialmente em regime fechado. 
  • Suely dos Santos Monteiro (avó): 39 anos de prisão, inicialmente em regime fechado. 

Os três foram condenados por tortura e homicídio qualificado, além de que Suely, também foi enquadrada por omissão. Após o julgamento, os réus retornaram para as unidades prisionais onde já estavam reclusos: William Monteiro cumpre pena no Centro de Ressocialização de Ariquemes (RO), Ingrid Bernadino cumpre pena no Presídio Feminino de Ariquemes (RO) e Suely dos Santos Monteiro, retornou para uma casa de detenção, na capital Porto Velho.