8 de março de 2021

Com informações do O Globo

RIO – A maioria dos 16 jovens que se feriram no incêndio no alojamento da base do Flamengo há dois anos completou 16 anos em 2020 — idade em que é permitida a assinatura do primeiro contrato profissional. O clube, no entanto, só mantém em suas categorias inferiores sete sobreviventes. Dentre eles, cinco firmaram novo vínculo: o goleiro Francisco Dyogo, de 17 anos; o zagueiro Jhonata Ventura, de 16; e o atacante Cauan Emanuel — os três que se feriram com maior gravidade no acidente —, além do atacante Samuel Barbosa e o zagueiro Kayke Soares.

O volante Rayan Lucas, de 15 anos, aguarda o aniversário para renovar. Já o atacante Filipe Chrysman, de 18, não renovou o vínculo e tem futuro incerto. A lista de sobreviventes que não permanece no clube aumentou depois de um ano. No começo de 2020, o Flamengo dispensou seis atletas. Agora, mais um teve o vínculo encerrado e não renovou. Trata-se de Jean Salles, que deixou o clube em dezembro e assinou com o Alverca de Portugal na última semana.

“Quero agradecer a todos os envolvidos, pais e empresários por todo suporte até aqui. Que Deus me abençoe nessa temporada! Feliz e motivado nessa missão. Grato a tudo que Deus está me proporcionando”, postou o jogador em suas redes sociais.

Dos dispensados, o atacante Felipe Cardoso, de 17 anos, foi o que melhor se encaixou no mercado, no Red Bull. Wendel Alves foi aprovado em testes no Corinthians. João Vitor Gasparin, Naydjel Callebe e Caike Duarte seguem sem clube.

Em tempos de pandemia, os jovens tiveram dificuldades para serem observados em outras equipes, já que a base parou por muito tempo de fazer testes. “O ano de 2020 não foi tão produtivo. Por causa da Covid-19, poucos abriram para a base”, explica Naydjel, que aguarda chances.

“Estou treinando forte e esperando os clubes voltarem normalmente para aproveitar as oportunidades”, emendou Caike, chamado de Paquetazinho. Antes da dispensa do grupo, outros atletas deixaram o Flamengo por conta própria: casos de Kennedy Lucas (Corinthians), Gabriel de Castro (Ponte Preta) e Pablo Ruan (Palmeiras).

Em recuperação

De todos os sobreviventes, o único que ainda não está 100%, mas já voltou a campo, é o zagueiro Jhonata Ventura. Ele teve 30% do corpo queimado e ficou aproximadamente um ano afastado para realizar os trabalhos de recuperação, como fisioterapia respiratória e tratamento para queimaduras nas mãos e braços.

Em função das sequelas, o Flamengo negociou uma indenização por danos morais paga imediatamente após a tragédia. Havia risco de o zagueiro não voltar a jogar. E o clube chegou a oferecer um cargo como funcionário caso a carreira de atleta ficasse pelo caminho. Este ano, Jhonatan já atuou pelo time sub-17 e está em busca de sua melhor forma. Os demais atletas que seguem no Flamengo também jogam normalmente pela base.

Dois anos

O incêndio no Ninho do Urubu completa dois anos nesta segunda-feira. Na madrugada do dia 8 de fevereiro de 2019, dez garotos entre 14 e 17 anos morreram no CT do Flamengo na maior tragédia da história do clube.

Os dez meninos que morreram no incêndio no Ninho — Foto: Infoesporte
Os dez meninos que morreram no incêndio no Ninho (Infoesporte/Reprodução)

O clube fechou indenização com 8 das 10 famílias, além do pai de Rykelmo. O último acordo foi fechado em dezembro. A mãe de Rykelmo entrou na Justiça. A diretoria também não conseguiu chegar a um entendimento com os familiares de Christian Esmério.

O Flamengo iniciou a construção de uma capela no local onde houve o incêndio, atualmente o estacionamento do módulo profissional do CT. Será um memorial para homenagear as vítimas. A inauguração ainda não tem data definida.

As 10 vítimas fatais do incêndio no Ninho:

  • Athila Paixão, de 14 anos
  • Arthur Vinícius, 14 anos
  • Bernardo Pisetta, 14 anos
  • Christian Esmério, 15 anos
  • Gedson Santos, 14 anos
  • Jorge Eduardo Santos, 15 anos
  • Pablo Henrique da Silva Matos, 14 anos
  • Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos
  • Samuel Thomas Rosa, 15 anos
  • Vitor Isaías, 15 anos.