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18 de maio de 2021

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Com informações da Revista Fórum

FRANÇA – O grande desafio em elaborar a música é definido pelo próprio Jean-Michel Jarre, em seu site oficial sobre o álbum “Amazônia”, lançado nesta sexta-feira, 9, nas plataformas digitais. O resultado do projeto é tão belo e grandioso quanto o seu enunciado. Uma exposição do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado sobre a Amazônia com trilha sonora do músico francês, o papa da música eletrônica, Jean Michel Jarre.

Salgado, assim como fez em outros projetos seus, percorreu a selva brasileira durante seis anos. Fotografou os povos, rios e montanhas, enfim, documentou toda a majestade da região. O resultado leva a sua marca, ou seja, é repleto de beleza indescritível.

“Eu queria evitar a abordagem etnomusicológica ou criar música de fundo. Então eu concebi uma espécie de caixa de ferramentas contendo elementos musicais – orquestrais e eletrônicos – destinados a recriar ou evocar o timbre de sons naturais, ao qual adicionei sons do ambiente, e finalmente fontes étnicas (vozes, músicas e instrumentos) dos arquivos de som do Museu de Etnografia de Genebra (MEG)”, diz Jean.

Ele completa. “Aproximei-me da Amazônia com respeito, de forma poética e impressionista. Escolhi os elementos vocais e sonoros em sua dimensão evocativa, em vez de tentar ser fiel a um determinado grupo étnico. Pareceu-me interessante fantasiar a floresta”, explica.

Sebastião Salgado é um grande fotógrafo brasileiro, nascido em 1944 em Minas Gerais (Reprodução/ Ramon Raupp de Oliveira)

Os sons, coletadas no coração da floresta amazônica, criam a ambiência sonora para as imagens de Salgado a partir do barulho das árvores, o grito dos animais, o canto dos pássaros ou as cachoeiras que correm do topo das montanhas.

Sobre a construção da música, Jarre diz ainda que “era necessário voltar aos princípios da orquestração dos sons da natureza, trabalhar a partir de sons que se seguem aleatoriamente, mas que podem compor uma harmonia ou uma dissonância. E como em qualquer sinfonia, a obra tem momentos de clareza ou tensão”.

O ponto curioso de tudo, sobretudo da música de Jarre, é que ela só pode ser construída, assim como toda a sua obra, a partir da tecnologia. Samplers, sintetizadores, sons recortados e realinhados a partir de processadores modernos são os instrumentos usados por ele para traduzir toda a ancestralidade que se espalha pela floresta.

O talento e a fluidez com que o músico transita já há décadas por esse universo fez com que sua trilha não virasse um mero pastiche da obra do fotógrafo. Os sons de Jarre são críveis. Ao mesmo tempo em que parece ter reverenciado seu objeto, não se furtou a tecer comentários sonoros com a mesma intensidade, grandiosos e belos.

O receio de que a música de Jean Michel Jarre, em alguns de seus momentos, não sobreviva fora da exposição, o que ocorre frequentemente com trilhas sonoras, é infundado.

No auge da maturidade artística, com 72 anos, o músico foi fulminante em seu tecido sonoro. Consegue um paralelo indescritível de sons às imagens do seu parceiro, Sebastião Salgado, outro visionário inovador aos 77.