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17 de abril de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O líder indígena do povo Baré e presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Marivelton Barroso, de 29 anos, foi eleito nessa sexta-feira, 26, um dos cinco vencedores do prêmio internacional de viagens “Changing Your Mind 2021” (Mudando Sua Mente 2021), da revista americana Vanity Fair, um dos periódicos mais consagrados do mundo.

As ‘Serras Guerreiras’ são um espetáculo da natureza e ficam localizadas no extremo norte do Brasil, entre os municípios de Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas (Reprodução/ Marcelo Monzillo-ISA)

A categoria premia as personalidades que mais se destacam pelo mundo com seus projetos inovadores de turismo. Marivelton levou o prêmio por sua atuação na promoção do turismo sustentável nas comunidades indígenas de Santa Isabel do Rio Negro, no interior do Amazonas, com o projeto “Serras Guerreiras de Tapuruquara”, construído e apoiado pela organização não governamental (ONG) Garupa, em parceria com outras entidades.

“O prêmio vem de uma forma bastante surpresa e ao mesmo tempo emocionante que é ter o reconhecimento de um trabalho que é feito em grupo. A nossa representatividade se dá no âmbito coletivo. O ‘Serras Guerreiras…’ permite o visitante conhecer toda a nossa realidade, contada por nós, levada por nós e poder ter a dimensão do que é viver na Amazônia e na Terra Indígena aqui no Rio Negro”, disse Marivelton neste sábado, 27, em entrevista à REVISTA CENARIUM.

Luta pelos direitos

Natural de Santa Isabel do Rio Negro, Marivelton Baré luta pelos direitos dos povos indígenas do médio e baixo Rio Negro há, pelo menos, 16 anos. Ele conta que o projeto surgiu da vontade da comunidade de mostrar aos turistas um pouco mais da cultura local, em 2017. Para isso, era preciso buscar parceiros e promover atividades sustentáveis que pudessem gerar emprego e renda aos indígenas da região.

O líder indígena dos Baré do Rio Negro, Marivelton Baré  (Repodução/Juliana Radler/ISA)

“A gente já tinha o atrativo, mas precisaria dos parceiros para promover o turismo e graças a ele conseguimos oferecer aos turistas uma experiência inovadora, envolvendo cinco comunidades de Santa Isabel do Rio Negro. O turista pode ver as apresentações culturais, pode degustar da alimentação regional, visitar trilhas, subir as serras. Na comunidade, vai poder ver a exposição de artesanatos. É uma vivência ímpar para quem nunca veio à região à procura de produtos indígenas do rio Negro”, salientou.

Em 2018, o líder indígena com o apoio da comunidade começou a experiência de trabalhar com turismo em Santa Isabel do Rio Negro. A iniciativa foi estabelecida com o apoio dos parceiros. Segundo o presidente da Foirn, a proposta se manteve em um ritmo bom até a pandemia da Covid-19 se instalar nas comunidades tradicionais na Amazônia e suspender as viagens.

“Toda renda com o turismo é gerada para as famílias. A pandemia veio para atrapalhar, devastou nossa região, levou nossos familiares e, praticamente, suspendeu com essa continuidade do projeto que busca, a partir da percepção indígena, mostrar como vive nosso povo”, finalizou o líder Baré.