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25 de janeiro de 2022
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Malu Dacio – Da Revista Cenarium

MANAUS — A capital amazonense amanheceu chuvosa e escura, mas com o lembrete que ainda devemos cantar. Morreu nesta sexta-feira, 14, o poeta amazonense Thiago de Mello, aos 95 anos. Thiago era um dos maiores poetas vivos no Brasil. A informação foi confirmada pelo escritor e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Sérgio Freire.

A causa da morte ainda não foi confirmada pela família. Thiago de Mello sofria de alzheimer.

Em março de 2021, a CENARIUM produziu um especial que celebrou o aniversário de Mello, um dos nomes mais influentes e respeitados da literatura amazonense.

Em um de seus poemas, Thiago cita a importância de celebrar a vida:

Faz escuro mas eu canto,
porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo, companheiro,
a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar
a cor do mundo mudar.
Já é madrugada,
vem o sol, quero alegria,
que é para esquecer o que eu sofria.
Quem sofre fica acordado
defendendo o coração.
Vamos juntos, multidão,
trabalhar pela alegria,
amanhã é um novo dia.

Thiago de Mello, poeta e escritor amazonense

Leia mais: Especial REVISTA CENARIUM: Thiago de Mello, 95 anos

O escritor e poeta Tenório Telles informou que o velório de Thiago de Mello ocorrerá no Palácio Rio Negro, Centro Histórico de Manaus, em horário a ser definido.

Em 2021, Thiago foi o homenageado da 34ª Bienal de São Paulo. O título do evento, Faz escuro mas eu canto, é um verso do poeta amazonense Thiago de Mello, publicado em 1965.

Após tomar conhecimento da morte do poeta, que possui grande contribuição à cultura do Amazonas, o governador Wilson Lima decretou luto oficial de três dias. “É uma perda irreparável para nossa cultura. Que Deus conforte familiares e amigos do nosso grande poeta”, disse Wilson Lima.

Biografia

Natural de Barreirinha, no interior do Amazonas, o poeta Thiago de Mello tem obras traduzidas para mais de 30 idiomas. Em meados da década de 1950 e 1960, trabalhou com veículos de comunicação da oposição ao governo Getúlio Vargas, além de servir no Itamaraty como agente diplomático de cultura do Brasil na Bolívia e no Chile.

No período da ditadura militar, foi exilado politicamente e abrigou-se no país chileno, onde permaneceu por cerca de dez anos. No Chile, também acolheu os exilados brasileiros depois do golpe militar de 1964. No final da década de 1970, retornou ao Brasil e seguiu para Barreirinha, “onde sua poesia se revestiu de uma preocupação com a natureza”, nas palavras de Tenório Telles.

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