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2 de dezembro de 2021
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Com informações do InfoGlobo

RIO — Uma mutação da variante Delta do coronavírus, conhecida como AY.33, foi identificada em Belém, no Pará, informou a Secretaria de Saúde do município (Sesma). A cepa está presente em mais de 20 países, mas ainda faltam estudos sobre seu grau de transmissibilidade, afirma especialista.

A AY.33 foi detectada após o sequenciamento de 116 amostras do vírus SARS-Cov-2 obtidas de pacientes de Belém do Pará pelo Departamento de Vigilância à Saúde, em parceria com o laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará.

A origem do caso confirmado de AY.33 na capital paraense não foi divulgada pela secretaria. Estudos recentes mostram que a variante surgiu, provavelmente, na Bélgica ou no Norte da África, de onde teria se espalhado para mais de 25 países.  Ainda não se sabe, porém, o grau de transmissibilidade da cepa.

“Mutações aparecem o tempo todo, mas para entender se são preocupantes, a gente precisa considerar algumas coisas em comparação com a Delta: se são mais transmissíveis, se causam doenças mais graves, se escapam das vacinas ou das defesas do organismo, e se não reagem a tratamento com anticorpos monoclonais (medicamentos produzidos em laboratórios, que mimetizam a ação dos anticorpos produzidos pelo corpo humano)”, explica Salmo Raskin, presidente do Departamento Científico de Genética da Sociedade Brasileira de Pediatria. “A maioria das variantes não faz nenhuma dessas coisas.”

Release publicado pela Agência Belém de notícias afirma que a subvariante “pode não ser detectada por testes rápidos e pelos protocolos padrões de RT-qPCR”. No entanto, Raskin disse ao GLOBO que os possíveis problemas não prejudicam o diagnóstico.

Segundo Raskin, estudos recentes mostram que a AY.33 apresenta várias mutações fora da proteína spike. O geneticista também explica que algumas delas poderiam causar “equívocos” no resultado de testes de sequenciamento do coronavírus, feitos exclusivamente para finalidade de pesquisa, mas que não comprometem a detecção do vírus.

“Não é que (os testes que nós temos) não vão detectar essa nova variante”, disse ele ao GLOBO. “O que pode acontecer é ele não identificar a variante corretamente.”

O geneticista explica que os reagentes dos testes produzidos em todo o mundo são desenvolvidos para grudar numa região do material genético do coronavírus que é justamente onde ocorrem as mutações, mas que isso não gera diagnóstico “falso negativo” de coronavírus, a partir de um exame do tipo PCR, por exemplo.

O especialista defende que a AY.33 seja monitorada, em Belém, mas não vê grande risco para o País, já que a variante não causou novas ondas de contaminação nos países em que está presente. Mesmo no Reino Unido, onde os casos voltaram a subir este mês, após um pico em julho, os casos estão relacionados à subvariante AY.4.2, também conhecida como Delta Plus, que já responde por 10% dos novos casos na Inglaterra.