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2 de dezembro de 2021
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Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – Um estudo técnico divulgado nesta quinta-feira, 28, por um especialista ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), alerta para um possível novo surto de casos de Covid-19, causado pela volta da circulação de pessoas na capital em junho. O estudo, que é feito em parceria com outros pesquisadores, relevou ainda, que cerca de 1,7 milhão de pessoas ainda pode ser infectado em Manaus com o novo Coronavírus.

Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), até 27 de maio, Manaus possuía 14.800 infectados, concentrando 44% dos casos e 1.272 óbitos, representando 62% da mortalidade da doença no Estado.

O mestre e doutorando em biologia pelo Inpa, Lucas Ferrante, líder da pesquisa, ressalta que estes dados não sustentam a tese de “imunidade por rebanho”, recentemente difundida nas redes sociais.

“A população está longe de adquirir tal imunidade. Para fins de comparação, é sabido que a imunidade de rebanho de 90% da população que já teve contato com o sarampo e apresenta resistência à doença ainda não é um limiar que impede o surgimento de epidemias anuais entre os suscetíveis. No caso da Covid-19, por se tratar de uma doença nova, não existem confirmações se ela não possa se manifestar novamente em quem já apresentou sintomas”, explica.

O estudo coletivo contempla a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Escola de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST-UEA). Bem como o Instituto Max Planck em Imunobiologia de Freiburg (Alemanha).

Comportamento da pandemia

O levantamento revela que o comportamento da pandemia em Manaus, pode ser atribuído a fatores cruciais, como as determinações que reduziram o contato entre pessoas, o fechamento de comércios, escolas e universidades, além da adesão das atividades em forma de home-office, ou o uso de máscaras por quem não poderia ficar em casa.

Outro fator considerado diferencial para essa tendência, é com relação às melhorias aplicadas nos hospitais da capital, com devido aumento no número de leitos, chegada de profissionais de saúde e à melhora na organização do fluxo do atendimento.

Para Ferrante a estabilização dos sepultamentos nos últimos dias é um reflexo das medidas dessas contenções da pandemia ao longo de várias semanas, e caso as atividades sejam retomadas, poderá surgir em cerca de 18 dias, uma nova onda de contaminação e até mesmo a triplicação dos óbitos.

“Caso o relaxamento das medidas de isolamento social sejam feitas, muitas vidas ainda serão perdidas, pois de 85% a 90% da população ainda é suscetível à Covid-19. […] uma vez que problema está intrinsecamente ligado à velocidade de transmissão do vírus e ao número de pessoas que ele tende a infectar”, alerta.

Subnotificação

A análise do Instituto comparou o crescimento de óbitos na capital para explicar o fenômeno de subnotificações de casos da Covid-19, que durante o mês de abril, registrou 2.600 óbitos, na capital, cerca de 1.700 a mais do que meses anteriores em 2020, e no mesmo período do ano passado.

A análise retrospectiva, indica ainda, que aproximadamente 85 mil pessoas estejam infectadas, parte delas sem o conhecimento.

Soluções

O especialista do Inpa ainda recomenda a implementação de um programa semanal de testes aleatorizados na população em geral. Para criação de um planejamento amostral da população do Amazonas, baseado em dados do Censo, já aproveitando a infraestrutura existente em programas como o Saúde da Família.

“Seria de vital um monitoramento abrangendo pessoas de diferentes níveis de renda e faixas etárias, incluindo idosos e pessoas no grupo de risco. Isso traria mais informações valiosas para setorizar os níveis de isolamento, e atender com mais eficiência diferentes bairros e camadas sociais da população”, ressalta Lucas.

Recomendações

Para ele a adoção de medidas de isolamento mais restritivas para o controle da pandemia é importante para evitar a lotação do sistema de Saúde da capital. “O isolamento social ainda é essencial, além da continuidade de monitoramento de casos e acompanhamento individual das pessoas infectadas”, defende o especialista.

Por fim, Ferrante diz que caso o número de óbitos e internações não diminuam expressivamente nas próximas semanas, medidas mais rigorosas como o lockdown, serão inevitáveis, devido à necessidade de controle urgente da pandemia. “Futuras modificações de medidas restritivas devem ser reavaliadas conforme a evolução da doença na cidade”, finaliza.