28 de fevereiro de 2021

Com informações do O Globo

BRASÍLIA – O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, pediu demissão do cargo nesse domingo, 24. O executivo, que alegou razões pessoais, continuará no cargo até o dia 5 de março. Em seguida, vai comandar a BR Distribuidora, segundo o colunista Lauro Jardim.

Ferreira vai substituir Rafael Grisolia na BR, que desde abril de 2019 ocupa a presidência da empresa. Ainda não há um nome para substituí-lo na Eletrobras. As ADRs, recibos de ações da empresa negociados em Nova York, caíram 5% no domingo e 10% hoje, na pré-abertura da Bolsa.

Ferreira é um dos principais defensores e articuladores da privatização da estatal, anunciada primeiramente em 2017, ainda durante o governo Michel Temer.

O governo Jair Bolsonaro também manteve o projeto de privatização, que não avançou até agora por forte resistência política no Congresso Nacional.

Nos últimos dias, parlamentares aliados ao governo, incluindo o candidato à presidência do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) — que tem o apoio do Palácio do Planalto — colocaram em dúvida o plano de privatização.

Ferreira vinha dizendo a pessoas próximas que ficaria na estatal até perceber que, de fato, a privatização não avançaria. Segundo essas fontes, a saída dele pode indicar que os planos da equipe econômica para privatizar a empresa estão cada vez mais distantes de serem realizados.

A gestão de Ferreira é marcada pela privatização de seis distribuidoras de energia da Eletrobras no Norte e Nordeste, historicamente deficitárias. Isso ajudou a melhorar os resultados da holding, além de aumentar investimentos nesses Estados.

Demissões voluntárias

O executivo também adotou planos de demissão voluntária. Em 2019, foram dois. O último, anunciado em outubro daquele ano, previa a dispensa de quase 1.700 funcionários.  A previsão era que a empresa poderia economizar R$ 510 milhões por ano.

Discussões sobre demissão de funcionários geraram mal-estar com sindicatos, quando Ferreira chamou 40% da chefia da empresa de “vagabundos” e “safados”.

Também na sua gestão, Furnas (subsidiária da empresa) começou o processo para deixar sua sede, em Botafogo, visando ao corte de custos.

Em comunicado ao mercado, a Eletrobras afirmou que o executivo liderou a reestruturação organizacional e financeira da estatal durante seu mandato de cerca de 4 anos e meio.

“Sob sua gestão, a companhia atingiu lucros históricos, reduziu sua alavancagem a patamares compatíveis com a geração de caixa, reduziu custos operacionais com privatizações de distribuidoras e programas de eficiência”.

O comunicado diz ainda que Ferreira “colocou em operação obras atrasadas, simplificou a quantidade de participações acionárias, com a venda, incorporação e encerramento em cerca de 90 sociedades de propósito específico”.

Investigações da Lava Jato

Ferreira concluiu ainda as investigações sobre corrupção na empresa, no âmbito da Lava Jato,  e entregou à SEC, o regulador americano dos mercados de capitais, os balanços pendentes, permitindo que as ações da companhia voltassem a ser negociadas em Nova York.

Ferreira “aprimorou seu Programa de Compliance, padronizou estatutos sociais e alçadas de aprovação das empresas Eletrobras e resolveu contenciosos importantes nos Estados Unidos, decorrentes de reflexos da Operação Lava Jato, dentre outras realizações relevantes”, complementa o comunicado da empresa.

O executivo estava na presidência da principal estatal de energia do país desde meados de 2016, quando assumiu no governo do então presidente Michel Temer. Um dos executivos mais respeitados no setor, se notabilizou pelo trabalho à frente da CPFL Energia, que comandou entre 2002 e 2016.