22 de janeiro de 2021

João Paulo Guimarães – Da Revista Cenarium

BELÉM – Belém do Pará, conhecida carinhosamente como a cidade das Mangueiras, comemora nesta terça-feira, 12, os 405 anos envolta em uma aura de positividade e certeza de dias melhores. A cidade, assim como a “irmã” de 351 anos, Manaus, é um dos principais portais para a Amazônia.

A REVISTA CENARIUM entrevistou o historiador da Universidade Federal do Pará (UPFA) e doutorando em Educação, Cotidianos e Redes Educativas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ataíde Junior, sobre pandemia, patrimônio histórico e ainda, qual seria o presente ideal para a capital paraense.

Vista aérea da praça da República e Teatro da Paz (João Paulo Guimarães/Revista Cenarium)

“Belém chega à idade de 405 anos em constante transformação, tal como a sua população. Ao longo desses quatro séculos, em que pesa toda as tentativas de apagamento dessa memória, é nesse contingente populacional diverso que reside a sua força”, comentou Ataíde.

Resistência

O historiador ressalta que a cidade vai além da memória lusitana impressa nas obras arquitetônicas, abraçando as diversas nações indígenas e etnias negras da Costa da África. Além de árabes, libaneses e japoneses que também imprimiram suas marcas nas estruturas de Belém.

“Isso a tornou forte e capaz de resistir a muito. Prova disso, foram as epidemias que já atravessou no passado, como a de varíola em 1850 e a de influenza em 1918, ambas causando muitas baixas, especialmente entre as camadas mais pobres”, ressaltou Junior.

Ataíde Junior fala sobre pandemia, patrimônio histórico e ainda qual é o presente ideal para a capital paraense. (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Legado

Ataíde Junior, que também é mestre em Saberes Culturais e Educação na Amazônia pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), também destaca a importância histórica da capital paraense na dinâmica geopolítica da Amazônia Legal.

“A força cultural que Belém traz como legado para o Brasil, talvez seja o presente mais desejado nesse aniversário em tempos de pandemia, seja a salvaguarda dessa população. Com acesso à vacinação ampla e eficaz contra a Covid-19”, desejou o historiador.

Dona Coló no Ver O Peso. A feirante receberá a Medalha do Mérito Francisco Caldeira Castelo Branco, a mais importante comenda de Belém. (João Paulo Guimarães/Revista Cenarium)

Diálogos

O historiador e secretário da Fundação Cultural do Município de Belém (FUMBEL), Michel Pinho, agora é responsável pelo fomento e disseminação da arte, da cultura, do esporte e do patrimônio histórico e conta quais os votos de felicitação deseja para a jovem aniversariante.

Michel Pinho agora é responsável pelo fomento e disseminação da arte, da cultura, do esporte e do patrimônio histórico de Belém. (Reprodução/Facebook)

“Acho que o melhor presente para Belém de 405 anos é pensar na possibilidade de diálogo, de intervir na cidade dialogando com os mais diversos setores. Sejam eles de produção literária, audiovisual e poética, porque o poder público, antes de tudo é um interlocutor da sociedade com aquilo que se pretende para uma cidade melhor”, explicou Pinho.

Sob nova administração

A Capital paraense ainda vive a pandemia de Covid-19, assim como o resto do país, os habitantes possuem um sentimento de esperança que antecede à vacinação, que pretende finalmente trazer segurança, bem-estar e saúde. Palavras que há muito tempo não são usadas para definir a realidade vivida no Brasil.

Vista da feira do Ver o Peso, a partir do Forte do Castelo, em Belém do Pará. (João Paulo Guimarães/Revista Cenarium)

Belém também vive uma mudança no Executivo municipal após a eleição de Edmilson Rodrigues (PSOL), que já governou a cidade duas vezes no passado e agora retorna para mais um mandato. Rodrigues instituiu o programa de renda mínima “Bora Belém”, que vai garantir até R$450 às famílias que mais precisam.

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