26 de novembro de 2020

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Náferson Cruz – Da Revista Cenarium

MANAUS – Após uma investigação minuciosa a policiais militares apreenderam 463 quilos de cocaína no município de Carauari, a 787 quilômetros de Manaus. A droga proveniente do Peru, tinha como destino o Estado do Pará. Os tabletes de cocaína avaliados em aproximadamente R$ 3,2 milhões, estavam no interior de uma aeronave de pequeno porte.

Segundo informações da Polícia Militar (PM), o carregamento já estava sendo monitorado há dias. Ao pousar na pista do aeroporto para abastecer, o piloto foi surpreendido pela equipe policial.

Piloto foi preso no momento em que abastecia a aeronave (Foto: Divulgação)

A operação que resultou na apreensão da droga foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Os policiais também detiveram o piloto da aeronave, brasileiro, residente em Manaus. Está sendo investigado se o piloto ainda deixaria parte dos entorpecentes em Manaus.

A apreensão é mais um prejuízo às organizações criminosas que atuam na região de fronteira. Atualmente, as principais rotas estão nas mãos da facção criminosa Família do Norte (FDN), considerada a terceira mais poderosa no Brasil – atrás do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Mas, o PCC vem avançando na região, se aliando a facções rivais da FDN e lançando mão até mesmo de piratas dos rios para monopolizar o trânsito de entorpecente em todo o País.

As cidades de Tabatinga, no Brasil, Letícia, na Colômbia, e Santa Rosa do Javari, no Peru, que estão na situada Tríplice Fronteira, são os entrepostos de Cali e Medellin, na Colômbia, bases do tráfico de cocaína, chefiadas na década de 80 pelos irmãos Rodriguez Orejuela e Pablo Escobar, respectivamente.

Após passar pela fronteira, a droga chega a Coari e, posteriormente, a Manaus, bases de apoio para o escoamento do produto para o restante do País, Europa e África.

No final do mês de agosto, a Polícia Civil do Amazonas evidenciou parte dessa rota utilizada pelos narcotraficantes. A ação policial coordenada pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) ocorreu em Manaus e nos municípios de Manaquiri, Japurá e Barreirinha, cidades banhadas pelos rios Solimões, Japurá e Paraná do Ramos, afluente do rio Amazonas, respectivamente.

Operação do DRCO apreendeu seis toneladas de drogas. (Foto: Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Mazelas sociais

“A expansão da cultura do entorpecimento, a economia e a cultura das drogas é um fator indispensável para compreender os indicadores de violência e de criminalidade no tempo”, é o que diz o sociólogo Pontes Filho, doutor em Sociedade e Cultura na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Segundo o especialista, as drogas não se limitam ao aspecto químico. Yoko Ono teceu um lúcido comentário sobre o assunto: “Droga é o segundo copo de água quando o primeiro matou a sede.” De fato, tudo que excede o necessário acaba se convertendo em droga, em lixo, em luxo.

Para o sociólogo, o consumismo não deixa de ser um tipo de veneno. Seus efeitos impactam todo o planeta. Mas não só o consumismo e os entorpecentes químicos agridem o meio ambiente e oferecem riscos à qualidade de vida, lançando pessoas e coletividades num processo autofágico de insegurança pública.

“A cultura do entorpecimento impacta danosamente a coexistência na família, na comunidade, no ambiente de trabalho e de lazer, nas instituições, todas sofrem os efeitos das drogas e da dependência aos vícios sejam eles quais forem”, completa Pontes Filho, professor e pesquisador de história da Amazônia e direitos socioculturais na região com livros publicados sobre esses temas, dentre os quais: “Logospirataria na Amazônia”, “História do Amazonas”, “Vicio e criminalidade”.

Extensa fronteira

A fronteira do Amazonas com o Peru e a Colômbia tem uma extensão de 3.209 quilômetros. A maior parte dos 1.600 quilômetros da divisa entre o Amazonas e a Colômbia é composta por floresta fechada entrecortada por rios e igarapés que se entrelaçam durante a temporada de chuvas. Cerca de 70% das drogas que entram no Brasil pelo Amazonas utilizam o rio Solimões, por meio da Tríplice Fronteira. Um total de 245.047 pessoas habitam o território de 213.281,229 quilômetros quadrados de fronteira aberta entre Brasil, Colômbia e Peru.

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