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16 de setembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – A região Norte é um dos destinos menos procurados, atraindo menos de 2% de turistas brasileiros, segundo o Anuário de 2021 divulgado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa). De acordo com o estudo, as praias nordestinas mantiveram a preferência dos viajantes, além da previsão de uma demanda crescente por atividades turísticas ao ar livre e baseadas na natureza, de preferência para lugares mais próximos.

No País, o Nordeste foi o destino preferido dos viajantes em 2021 e, segundo a pesquisa, a região responsável por quase 70% das vendas das operadoras (69,96%), seguida das regiões Sul (13,64%), Sudeste (12,40%), Centro-Oeste (2,63%) e Norte (1,37%). As cidades com maior número de venda foram as que têm praia como atração turística: Salvador, Maceió, Natal, Rio de Janeiro e São Paulo.

Entre as regiões, o Nordeste foi o que também tem o maior ticket médio, ainda abaixo da média dos últimos anos, mas próxima do histórico R$ 1.101,36. Além disso, a região registrou o maior faturamento, com mais de R$ 2 bilhões em renda, seguido do Sul (R$ 422 milhões) e Sudeste (R$ 383 milhões). Norte e Centro-Oeste, respectivamente, foram os que menos tiveram lucro com R$ 42 milhões e R$ 81 milhões.

Nordeste foi responsável quase 70% das vendas das operadoras (Fonte: Anuário Braztoa 2021)

Desafios

A professora e pesquisadora do Observatório de Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (ObservaTur/UEA), Selma Batista, afirma que o fator determinante para que a região Norte seja menos procurada por viajantes, é a falta de dados concretos sobre a oferta turística, falta de divulgação adequada e sobretudo de um plano estratégico para o desenvolvimento e promoção da atividade.

“Precisamos divulgar para o mundo o potencial das belíssimas praias fluviais em vários municípios do Amazonas, como em São Gabriel da Cachoeira, Maués, bem como em Novo Airão, até mesmo na capital, Manaus, entre outras cidades amazônicas”, enfatizou a pesquisadora do Observatório.

Selma lembra que a opção de estradas em condições de uso, com sinalização, serviços de apoio e telefonia móvel são determinantes para o viajante se sentir seguro com a opção do modal rodoviário. Segundo ela, esta não é a realidade entre os Estados da região Norte, com exceções como a BR-174, rodovia que turistas podem se deslocar entre o Amazonas e Roraima, por exemplo.

Criança ribeirinha brinca nas águas do rio Negro na comunidade Bauana, localizada na Reserva Uacari, no Estado do Amazonas (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Demanda

“No Amazonas, a construção da ponte Phellipe Daou e a duplicação da rodovia AM-070, além da procura de turistas e residentes por praias fluviais e balneários, vem garantindo o desenvolvimento. O que falta é um planejamento estratégico para explorar os rios amazônicos, oferta de transporte fluvial de qualidade e segurança, que tornam o próprio deslocamento uma experiência turística genuinamente amazônica”, salientou Selma.

A especialista conclui que, a partir do momento em que a população estiver vacinada, a tendência é que o fluxo de turistas aumente gradativamente. “As restrições e o isolamento social foram fatores determinantes para conter o vírus e naturalmente a possibilidade de sair do isolamento tende a ter como motivação o planejamento de uma viagem turística para um destino que apresente protocolos efetivos de segurança e higiene”, finalizou Batista.

Encontro entre as águas do rio Negro e Solimões, fenômeno natural procurado por turistas que visitam Manaus (Ricardo Oliveira/Cenarium)

A pesquisa

A pesquisa mostra o retrato do mercado de viagens em meio ao período pandêmico. A Braztoa é uma entidade de fomento ao setor de turismo e conta com 69 associados, sendo 49 operadoras especialistas no ramo e que são responsáveis por 90% das viagens de lazer comercializadas no País.

O levantamento aponta que os turistas buscam viagens com experiências mais autênticas e significativas que promovam o autocuidado e o autoconhecimento se apresentam em alta. Além disso, as regiões procuradas são mais próximas à residência dos viajantes. Por conta da consolidação do home office (trabalho em casa), a pesquisa mostra também que houve procura por viagens mais longas.

Em meio à pandemia, com as restrições para viagem, fechamento de fronteiras, diminuição da oferta e consequente aumento de custos, o turismo nacional ganhou protagonismo, representando 77% do faturamento das operadoras em 2021, cerca de R$ 3 bilhões. Por outro lado, as viagens internacionais atingiram a marca de R$ 909 milhões (23%).

Acesse a pesquisa aqui.