2 de dezembro de 2020

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Com informações do O Globo

RIO – Três em cada quatro moradores (74%) da Amazônia consideram que a saúde é a área mais carente de melhorias pelos municípios. A avaliação consta na pesquisa “Decisores da Amazônia”, realizada pelos institutos Clima e Sociedade (iCS) e O Mundo que Queremos entre 1.400 moradores da região.

Entre os outros problemas elencados estão a educação (50%), a geração de emprego (40%) e a defesa do meio ambiente (25%). O levantamento, realizado entre os dias 11 e 23 de outubro, permitia a escolha de mais de uma opção.

“A pandemia do coronavírus evidenciou problemas estruturais do sistema de saúde da Amazônia: a dificuldade de acesso a hospitais de qualidade, a procedimentos de alta complexidade, a falta de leitos e respiradores, a baixa taxa de médicos por habitantes”, enumera Alexandre Mansur, diretor de projetos do Instituto O Mundo Que Queremos.

Mansur considera que a preocupação com o meio ambiente, mesmo que inferior a da saúde, também é significativa. Para 56% dos entrevistados, a situação do meio ambiente na região piorou nos últimos anos.

“A Amazônia tem os piores índices de IDH, as maiores taxas de pobreza e problemas básicos que afetam diretamente a população”, ressalta. “É natural que as demandas imediatas sejam por áreas como saúde e segurança, mas há uma clara noção de que a preservação ambiental é parte do desenvolvimento desejado.”

De fato, 86% dos entrevistados vinculam prosperidade econômica com a conservação do bioma. Apenas 8% discordam da ligação entre estes fatores.

A cobrança é maior sobre os políticos locais — para 24%, os governores são os principais responsáveis por desenvolver programas sustentáveis. Apenas 15% atribuem este papel ao governo federal, e outros 15% às prefeituras.

“A população da Amazônia é muito heterogênea, e está distribuída, por exemplo, entre municípios mais ou menos pobres, e mais ou menos desmatados. Alguns são mais preservados, ocupados por ribeirinhos, outros estão no foco de conflito por terras”, conta Mansur. Mesmo assim, seus habitantes têm opinições equivalentes em diversos quesitos, e parte disso ocorre porque há um grande deslocamento das pessoas pela região. Apenas um terço entre as que participaram do levantamento mora no mesmo município há mais de 20 anos.

Parte desse caráter nômade se deve à exploração do espólio natural da Amazônia. Por exemplo, uma determinada região pode ser densamente ocupada devido ao extrativismo de madeira, mas é abandonada logo após o recurso ser explorado. Assim, a população muda de polo em polo, sem gerar uma economia sustentável.

Confiança em ambientalistas

Mesmo com o discurso aventado pelo governo federal de uma suposta “cobiça internacional” sobre os recursos da floresta, apenas 23% dos entrevistados avaliam positivamente a preocupação dos políticos brasileiros em relação à Amazônia. Entre os ambientalistas, alvo constante da retórica governamental, este índice é o dobro (47%).

“A população é nacionalista, acredita que a Amazônia é um patrimônio brasileiro. Não é xenófoba ou paranoica”, explica Mansur. — E a grande maioria acredita que a preservação ambiental é uma condição necessária para o desenvolvimento econômico. Por isso, pede incentivo a atividades que não desgastam a floresta e que têm grande possibilidade de lucro, como o ecoturismo.

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