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27 de novembro de 2021
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Carolina Givoni – Da Cenarium

MANAUS – A visita do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quarta-feira, 18, marca as prioridades da agenda do chefe do Executivo nacional, com inauguração de um Conjunto Residencial Manauara 2, localizado no bairro Santa Etelvina, zona Norte da capital amazonense. Com o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello presente, a comitiva presidencial “esqueceu” da crise de Saúde vivida em Manaus durante o mês de janeiro deste ano.

Nem o período de crise pandêmica, em janeiro, trouxe o presidente da República, Jair Bolsonaro, a Manaus, que inaugurou um residencial nesta terça-feira, 18 (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Então responsável pela gestão hospitalar emergencial – de janeiro a fevereiro deste ano, período de maior crise sanitária da pandemia -, Pazuello, alinhado ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), utilizou a capital amazônica como “cobaia”, para aplicação do tratamento precoce para a Covid-19, feito com medicamentos sem comprovação científica.

Comitiva presidencial durante inauguração de residencial em Manaus (Marcela Leiros/Cenarium)

A declaração faz parte da série de matérias exclusivas elaboradas pela REVISTA CENARIUM na edição de agosto, que inclui o depoimento do presidente da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Covid, no Senado, Omar Aziz (PSD). “Manaus foi usada como cobaia”, apontou o senador amazonense.

O prefeito de Manaus, David Almeida, cumprimenta o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em evento realizado em Manaus para promover o tratamento precoce (Junio Matos/Secom)

Investigação

O ex-ministro responde a um inquérito sigiloso da Polícia Federal (PF), que investiga supostos crimes sobre a “iminência de esgotamento” de oxigênio em Manaus em janeiro, cinco dias antes do colapso, com pedidos de socorro não atendidos a contento. A existência de novos ofícios, com alertas e pedidos de ajuda detalhados, foi descoberta no curso das investigações da PF, em inquérito aberto por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Após a demissão de Pazuello do cargo de ministro da Saúde em março, com a consequente perda de foro privilegiado, a investigação saiu da alçada do STF e foi encaminhada à Justiça Federal, em Brasília. Uma cópia do inquérito foi enviada à CPI da Covid no Senado.

O processo aponta um prejuízo causado pela gestão de Pazuello de pelo menos R$ 122 milhões (Divulgação/O Globo)

Despreocupação

Em abril deste ano, após superado o período de crise, Pazuello, que representava a autoridade máxima da pasta governamental da saúde, passeava em um shopping sem utilizar máscara, ignorando uma das medidas mais eficazes contra a disseminação da Covid-19, amplamente defendida pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Após o episódio, Pazuello se desculpou por ter entrado em um shopping sem máscara. O ex-ministro disse ser favorável e “divulgador pessoal” da importância do uso de máscara, mas é constantemente visto sem a proteção em manifestações e aglomerações convocadas a favor de Bolsonaro.

Shopping da capital amazonense admitiu falha de protocolo. (Reprodução/Internet)

Ação

O Ministério Público Federal (MPF) moveu, em junho deste ano, uma ação por improbidade administrativa contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. A ação foi movida pela Procuradoria da República do Distrito Federal (PR-DF) e é a segunda do tipo contra o ex-ministro.

O processo aponta um prejuízo causado pela gestão de Pazuello de pelo menos R$ 122 milhões. Os procuradores identificaram “negligência” nas negociações para a compra de vacinas. Na avaliação do MPF, Pazuello agiu de forma dolosa, ou seja, com intenção de atingir um determinado resultado.