4 de março de 2021

Com informações do UOL

SÃO PAULO – Para o Brasil conter a pandemia em até um ano, a vacinação no país precisará chegar a 2 milhões de pessoas por dia, de acordo com os cálculos de um estudo publicado em fevereiro pelo Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei).

Com média de 185 mil imunizações por dia — considerando as 5.756.502 de doses aplicadas entre 18 de janeiro e 19 de fevereiro —, o Brasil precisaria aumentar 10,7 vezes a quantidade de pessoas vacinadas por dia para conter a pandemia em um ano.

Essa meta pode demorar a chegar já que algumas cidades estão parando de vacinar contra a covid-19 por falta de doses, e o Ministério da Saúde deverá ter apenas 5,6 milhões das 11,3 milhões de doses esperadas para o mês de fevereiro.

Quando a meta for atingida, os casos ativos devem variar de 8 mil — com uma vacina 50% eficaz — a 201 com um imunizante 90% eficiente. “Nesse ritmo, a pandemia estaria controlada após um ano da vacinação, independentemente da eficácia da vacina”, diz o estudo.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores usaram um modelo computacional que utiliza entre seus parâmetros a velocidade com que as pessoas são imunizadas e a eficiência da vacina. Com uma taxa de vacinação de 100 mil pessoas por dia — índice apenas recentemente ultrapassado no país —, o número de casos ativos ainda seria alto (85.135 casos) e a pandemia poderia perdurar por mais de dois anos, segundo as simulações.

Vidas salvas

Mas caso a vacina chegue a 2 milhões de pessoas a cada dia, cerca de 191.110 vidas seriam salvas em um ano com uma vacina 50% eficaz. Com um imunizante 90% eficiente, a quantidade de vidas preservadas chegaria a 226.473. “Para salvar essas vidas temos que conseguir vacinar cerca de 100 milhões de brasileiros até o final do mês de maio, início de junho”, afirmou à UFJF Rodrigo Weber, um dos autores do documento. “Quanto mais postergarmos essa data, mais vidas serão perdidas e menor será o impacto da vacina no número de óbitos ao longo do ano.”.