À espera do auxílio, famílias amazonenses contam como enfrentam a pandemia

Nícolas Marreco – da Revista Cenarium

MANAUS – Enquanto centenas de pessoas formaram filas de dobrar o quarteirão nas agências bancárias no início da semana, em Manaus, famílias que ainda não haviam recebido a confirmação do auxílio emergencial esperavam em casa, ociosas. Algumas sem qualquer recurso para comprar comida para os próximos dias, inclusive.

Conforme dados da Caixa Econômica, aproximadamente 18 milhões de brasileiros já receberam o dinheiro até o último domingo. Um montante de R$ 12,2 bilhões foi pago e mais de 10 milhões de contas poupança social digital foram abertas, sem custos. Na última quarta, cerca de 5 milhões inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) devem ser pagos pelo governo.

Enquanto isso, o personal trainer, Herbert Soares, de 27 anos, ainda aguarda o sinal verde na tela do celular. Desempregado há mais de um mês, ele divide uma quitinete com um amigo no São Francisco, zona sul de Manaus. “Com o dinheiro da rescisão, antecipei dois meses de aluguel e fiz compras para passar o mês, mas o dinheiro não deu e tive que emprestar de amigos”, contou.

Ele estava cotado para assumir um cargo administrativo na adega em que trabalhava, porém com a pandemia, veio o aviso de desligamento. Mesmo tendo clientes avulsos, como personal, Soares ficou sem renda a partir do decreto de isolamento. “Na época, a adega deu férias antecipadas para todos, mas soube na segunda que demitiram os que ficaram”, completou.

Serviço informal

Quem tem filhos pequenos encara a espera com desafios ainda maiores. A dona de casa, Alcilene Lima, de 41 anos, vive com quatro crianças e o esposo, no bairro Petrópolis, zona sul. Para sobreviver, a venda de bolos e salgados tem ajudado, embora os negócios tenham diminuído recentemente.

Alcilene diz que o apoio da irmã e da sogra também reforçam para a venda dar certo. “Há dois anos o meu esposo está desempregado, mas as coisas pioraram no início do ano. Agora, na pandemia, ficou pesado. O meu esposo lava ar-condicionado, quando dá”, detalhou. Ela e a família receberam a confirmação do auxílio na segunda, porém ainda não conseguiram sacar o recurso.

A diarista Tarciara de Souza, de 40 anos, também sofreu perdas no orçamento doméstico com o isolamento. Até então, ela recebia por semana uma faixa de R$ 400 a R$ 500. Durante a pandemia, o único trabalho que ainda consegue a remunera em R$ 150.

“A gente está se virando. A gente tinha uma reserva e foi isso que segurou no último mês, mas se eu não receber logo o auxílio, aí eu vou passar fome”, falou. Tarciara mora com o esposo, que é vigilante bancário, e a filha, de 18 anos. Mesmo tendo casa própria, a dificuldade para conciliar as despesas de casa com alimentação tem sido difícil.

Nova solicitação

Desde a última segunda, 20, quem teve o auxílio negado pode fazer novo pedido dos R$ 600 pelo aplicativo da Caixa ou site do programa. O processo se dá na contestação do motivo usado para o indeferimento do auxílio. Caso o aviso for de “dados inconclusivos”, o solicitante pode fazer a revisão das informações enviadas e entrar com nova solicitação.

Para ter direito ao auxílio é preciso atender aos critérios impostos por lei, como não ter emprego formal, não receber outro benefício do governo (exceto Bolsa Família), não ter renda familiar mensal maior que R$ 3.135,00 ou de R$ 522,50 por pessoa, por exemplo. As condições completas são descritas aqui.

Os principais motivos, segundo a Caixa, para haver inconsistência nos dados são de marcação como chefe de família sem indicação de nenhum membro, falta de inserção da informação de sexo, inserção incorreta de dados de membro da família, como CPF ou data de nascimento, divergência de cadastramento entre membros da mesma família, inclusão de alguma pessoa da família com indicativo de óbito.

Quem está trabalhando informalmente e é inscrito no CadÚnico também pode recorrer em casos de auxílio negado. Quem já recebeu a confirmação do recurso e não sabe como receber, pode saber mais nesse link.

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