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26 de janeiro de 2022
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Luana Dávila – Revista Cenarium

O número de casos de indígenas contaminados na Amazônia pelo novo Coronavírus, vírus que provoca a Covid-19, vem crescendo de forma acelerada.  Até esta quarta-feira, 13, já são contabilizados 220 índios contaminados e 16 mortos pela doença. Os dados são da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).

No Amazonas, a pandemia já atingiu seis, das sete unidades da Dsei, segundo dados da Sesai, totalizando 187 casos confirmados e 13 mortes:  Alto Rio Negro (3 confirmados e 2 mortes); Alto rio Solimões (129 confirmados e 10 mortes); Manaus (29 confirmados);  Médio Purus (4 confirmados); Médio rio Solimões (2 confirmados) ; Parintins (20 confirmados  e 1 óbito). No Vale do Javari não foi confirmado nenhum caso e nenhuma morte.

Nas demais unidades do Dsei, que também compõem a Amazônia, há casos registrados em Guamá -Tocantins (5 confirmados e 1 morte); Amapá e Norte do Pará (1 confirmado); Altamira (1 confirmado); Leste de Roraima (10 confirmados e  1 morte); Maranhão (1 confirmado);Yanonami (15 confirmados e  1 morte); totalizando 33 casos e 3 mortes.

43 povos indígenas atingidos pela pandemia no país

De acordo com dados da Articulação de Povos Indígenas do Brasil (Abip), foram registrados, até o último dia 11, 77 mortes e 308 indígenas contaminados pela Covid-19 em todo o país. Ao todo são 43 povos atingidos diretamente pela doença e a maioria dos casos está na Amazônia.

“É assustadora a velocidade com que registramos o aumento de casos de mortes entre os povos indígenas, em pouco mais de uma semana, identificamos 49 óbitos de parentes, chegando a média de quatro mortes de indígenas por dia”, afirmou a entidade.

O mês de maio é apontado por especialistas como o período de maior contaminação da doença. Segundo a Abip, aproximadamente 81 mil indígenas de 230 territórios estão ameaçados pelo novo Coronavírus.

“O governo Bolsonaro não adotou medidas eficazes de proteção e ainda publicou, no dia 22 de abril, a Instrução Normativa nº 09 da Funai [Fundação Nacional do Índio], que assim como a Medida Provisória 910, atende aos interesses do agronegócio e favorece a grilagem das nossas terras”, afirmou a Articulação dos Povos Indígenas.

Ações

A Abip chegou a realizar uma Assembleia Nacional de Resistência Indígena nos dias 8 e 9 de maio para criar um plano de enfrentamento à pandemia específico ao contexto dos povos indígenas. Segundo a Articulação, uma forma de cobrar ao Governo a adoção de medidas urgentes.

“Criamos um comitê nacional, junto com nossas organizações de base, para acompanhamento dos registros dos casos de Covid-19 entre povos indígenas para denunciarmos os casos que tem invisibilidades pelo Governo, uma vez que não acompanha e nem registra indígenas que vivem fora das comunidades”, denunciou.

“Em tempos de pandemia a luta e a solidariedade coletiva que reacendeu no mundo só será completa com os povos indígenas, pois a cura estará não apenas no princípio ativo, mas no ativar de nossos princípios humanos”. diz trecho final da carta da Assembleia.