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21 de novembro de 2021
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Luciana Bezerra – Da Revista Cenarium

MANAUS – A pandemia do novo Coronavírus mudou muito a rotina de bares e restaurantes, acostumados a seguir um padrão aleatório. Durante 90 dias de portas fechadas, os estabelecimentos do ramo alimentício retomaram às atividades de forma tímida, nesta segunda-feira, 15, após a liberação do segundo ciclo de reabertura do comércio, como praças de alimentação e restaurantes da cidade. 

E para seguir a rotina do “novo normal”, os estabelecimentos do setor alimentício precisaram se reinventar e se readequar de acordo com as recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e reforçar todos os protocolos de segurança da Anvisa.

Entre as medidas estão, a instalação de álcool em gel 70%, distanciamento das mesas em até dois metros, luvas descartáveis, desinfecção das louças e talheres, apresentação do cardápio plastificado, para facilitar a limpeza  e, a forma de como a comida será exposta no buffet, no caso dos restaurantes a quilo, para evitar a propagação do vírus. 

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Estado do Amazonas (Abrasel-AM), Fábio Cunha, a reabertura desses estabelecimentos traz uma perspectiva de reinauguração do local no período pós-pandemia. Além da adoção de medidas de segurança para a reabertura desses serviços em todo o Estado.

“Foram 90 dias parados. Essa reabertura traz ansiedade e expectativa ao mesmo tempo, ou seja, uma espécie de reinauguração dos estabelecimentos, em todo o Estado. Além disso, estamos modificando muitas coisas nos restaurantes para que possamos atender com mais segurança os clientes nesse “novo normal”, enfatiza Cunha.

O presidente da Abrasel destaca ainda sobre a retomada dos postos de trabalho, perdidos durante os três meses de isolamento social. Segundo ele, os trabalhadores estavam ansiosos para o retorno. 

“Apesar de muitos terem perdido seus empregos com a pandemia do novo Coronavírus, alguns empresários citam que há uma possibilidade de recontratação desses funcionários, no futuro, caso, eles ainda estejam desempregados”, conclui.  

De acordo com dados da Abrasel Brasil estima-se que sejam 270 mil, estabelecimentos espalhados pelo País. Os restaurantes a quilo representam 60% do mercado, segundo Sebrae nacional.

Um balanço sobre o retorno, no entanto, ainda levará alguns dias. Muitos empresários do setor já haviam anunciado que talvez não tivessem mais condições de retomar as atividades. 

Riscos

De acordo com a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Rosemary Pinto, as decisões levam em considerações a redução do número de mortes no Estado. Mas, alerta que mesmo assim, é preciso continuar mantendo as medidas de prevenção.

“Levamos em consideração o número de sepultamentos realizados em Manaus, neste domingo, que voltaram aos níveis normais de antes da pandemia. Isso, não significa que estamos livres do vírus e nem que estamos agora liberados para sair livremente por aí. É necessário continuarmos com as medidas preventivas, apesar do clima de otimismo no qual estamos passando”.

Mudanças inovadoras

Ao entrar nesses estabelecimentos os clientes já percebem que muitas coisas mudaram, principalmente, no que diz respeito a higienização. Na entrada da praça de alimentação do Amazonas Shopping, Zona Sul de Manaus, foi posicionada uma área com três pias, dispenser de sabão e papel toalha. Além, de totens com álcool em gel distribuídos em diversas áreas do empreendimento.  

Na rede Cachaçaria do Dedé, do Amazonas Shopping, por exemplo, o funcionário Patrick Matos, 25 anos, é quem recepciona os clientes. Entrega, uma luva descartável e orienta como deve ser a escolha das porções no buffet, que não estão mais expostas, como antes da pandemia. As porções já vem embaladas separadamente. Assim como, uma tela de plástico transparente instalada na parte do buffet para que o cliente não tenha contato direto com o alimento.

A novidade implantada no local, no pós-pandemia é um espaço com oito lugares, batizada de cabine do Dedé, onde as pessoas ficam isoladas uma de frente para outra, por uma tela de proteção de acrílico, onde o garçom não tem acesso direto com o cliente.

Cabine ‘promete’ proteger clientes do contágio de Covid-19. (Luciana Bezerra/ Revista Cenarium)

Os alimentos e bebidas são empurrados por uma espécie de corredor por um rodo de madeira até os clientes, posicionada na frente da cabine. Segundo o chefe André Parente, proprietário do Grupo, o serviço inédito em Manaus e instalado primeiramente na unidade do Amazonas Shopping, servirá para as pessoas celebrarem com amigos e familiares o “novo normal”, pós-pandemia.

“Estou muito feliz que ‘reinauguramos’, mesmo que de forma tímida. Como novidade de reabertura, trouxemos uma cabine onde as pessoas vão poder fazer uma limpeza cerebral e socializar com parentes e amigos, sem o uso de máscaras. O projeto foi pensado para que os clientes fiquem livremente, apreciando um bom papo, uma boa comida e com muita irreverência e descontração. A princípio o serviço foi implantado na unidade do Amazonas Shopping, posteriormente, vamos colocá-lo na unidade parque dez”, destaca Parente.

O chef enfatizou também que antes da pandemia as unidades da Cachaçaria do Dedé, em Manaus, recebiam um público de aproximadamente 700 clientes por dia. A partir de hoje com a retomada das atividades, a ideia é viver um dia de cada vez, sem euforia e agradecendo por estarmos vivos e com saúde, conclui André Parente.

Como lançamento do cardápio pós-pandemia, em todas as unidades do Grupo, adianta Parente será uma Panceta (torresmo defumado), no dia 22 de junho. 

No restaurante Fiorentina, também na praça de alimentação do Amazonas Shopping, o buffet está suspenso por tempo indeterminado, informou uma recepcionista que estava na frente do estabelecimento, auxiliando os clientes sobre as medidas de higienização. Quem pensar em consumir no local, tem a opção do menu à la carte.

Para Lílian Guedes, proprietária do restaurante Kilomania, localizado na Zona Centro-Sul da cidade, a reabertura gradual do comércio é importante, mas é preciso estar atento ao cuidados determinados pelos órgãos sanitários e de saúde.

“O mais importante nessa reabertura é manter os cuidados com a higiene. Todas as medidas que o governo determinou foram implementadas no restaurante, desde a higienização das mãos, já na entrada do restaurante e exigindo o uso de máscaras no buffet, disponibilizando luvas descartáveis, para que os clientes manuseiem os pegadores, distanciamento entre as mesas, incluindo sinalizadores de espaçamento no chão em caso de filas, no buffet e na área do caixa”, afirma Lílian.

A chef afirma ainda que toda a equipe do restaurante foi treinada e equipada com todos os itens de segurança necessários para evitar a disseminação do vírus.

Restaurantes a quilo são os mais penalizados, aponta pesquisa canadense 

Uma pesquisa realizada no Canadá, no início de junho com 1.500 pessoas mostrou que 52% delas pretendem esperar alguns meses para voltar a frequentar restaurantes. Os estabelecimentos com buffet (no caso dos restaurantes a quilo) estavam em último da lista na pesquisa. 

Lá, um surto do novo Coronavírus ocorrido em março entre vários médicos levantou a suspeita de que eles tenham sido contaminados justamente em um restaurante de buffet durante um encontro, na cidade de Edmonton.

Já no Brasil, os dois principais órgãos de representação dos restaurantes criaram manuais de normas e condutas para esses modelos de estabelecimentos, sem fazer nenhum tipo de recomendação mais drástica, como a de que eles devem descontinuar os serviços ou mudar seus modelos.

Veja o que abriu nesta segunda-feira, 15

Restaurantes, cafés, padarias, fast-food e self-service, para consumo no local, com lotação máxima de 50%, brinquedotecas fechadas e funcionamento no máximo até 22h e às 23h, não podem mais ter clientes;

Atividades esportivas individuais ao ar livre;

Lojas de informática, comunicação, telefonia e materiais e equipamentos fotográficos;

Lojas de brinquedos;

Livrarias e papelarias;

Lojas de departamento e magazines;

Comércio de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal;

Lojas de eletrodomésticos, áudio e vídeo;

Comércio de animais vivos;

Comércio de bijuterias e semi-joias;

Comércio especializado de instrumentos musicais e acessórios;

Comércio de equipamentos de escritório;

Escritórios contábeis;

Escritórios de imobiliárias (stands de venda, não);

Assistência técnica de eletrônicos, eletrodomésticos e demais itens;

Bancas de jornais e revistas em espaços internos.