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17 de novembro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Movida pela dificuldade de encontrar no mercado calcinhas especialmente confeccionadas para mulheres trans, travestis e drag queens, a jovem manauara Louise Costa, de 28 anos, fez da escassez uma oportunidade de ganhar uma renda extra. Em entrevista nesta quinta-feira, 13, a trans empresária, como ela mesma se intitula, conta como tem se dedicado ao aprendizado e trabalho no ramo do empreendedorismo, por meio da criação recente da lojinha virtual “Louise Pantie”.

As chamadas calcinhas “aquendar” ou calcinhas de “aquendação” basicamente são peças íntimas formuladas para a comunidade T e drags, que precisam usar roupas para acomodar e disfarçar melhor as partes íntimas, principalmente aqueles que fazem shows performáticos.

“Eu já tinha essa ideia instalada na cabeça há bastante tempo. Como consumidora, eu já tinha que comprar as calcinhas de outros Estados, então a logística e o valor do frete acabava pesando demais para mim. Em Manaus, é difícil de achar, eu sei que é um produto pouco conhecido pelo grande público”, conta Louise.

As peças são confeccionadas de modo que acomodem e “disfarcem” a genitália masculina (Reprodução/Instagram)

Conquistando espaço

Com pouco mais de um mês no mercado e ainda conhecendo as diferentes possibilidades de venda, a jovem empresária já embarca os produtos para o interior do Pará, como Oriximiná, cidade mais perto da capital amazonense, a 486 quilômetros, e até a outro Estado como São Paulo. O sucesso e a conquista de espaço em tão pouco tempo fez com a que Louise se encontrasse profissionalmente, que, inclusive, tem apostado na internet como principal meio de divulgação da “Louise Pantie”.

“Não posso reclamar do nosso alcance. Quando mandei a minha primeira encomenda pelo barco, achei um máximo, nossa!”, exclamou a jovem empresária que também tem como meta expandir e fazer a loja (ainda no início) ser reconhecida como uma das maiores do segmento na região Norte.

Referência, clientela e produção

Por ser trans, Louise diz que a missão ainda é mais especial, abrindo nicho e inspirando outras colegas não só LGBTQIA+ a empreender, mas também aqueles que têm receio de dar o pontapé inicial. “Eu acredito que num lugar muito confortável, pois o meu público é LGBT, então a gente se entende e se acolhe, sabe?”, comenta Louise.

Cada calcinha custa em média R$ 25,00 a R$ 35,00 dependendo do modelo e dos acessórios colocados (Reprodução/Instagram)

Ela também conta sobre as necessidades enfrentadas pelas amigas e clientes em busca do produto. “Ouvindo minhas clientes, eu percebo que o perrengue que elas passavam e, por vezes, ainda passam são os mesmos que eu passava para ter que comprar em outras cidades. Fico feliz em facilitar”, comemora.

Na produção das peças, Louise conta com a ajuda da mão de obra da mãe que é costureira. Cada calcinha custa em média R$ 25,00 a R$ 35,00 reais dependendo do modelo e dos acessórios colocados para dar um up na peça íntima. O apoio da mãe foi fundamental para a concretização dos negócios.

“Não encontrava ninguém que aceitasse costurar para mim. Minha mãe é a responsável pela obra-prima, no comecinho foi um pouco complicado, pois ela nunca havia feito essas peças antes, mas agora ela entendeu a proposta e tem semana que alterna, a agenda de encomendas fica lotada e, às vezes, mais tranquilas”, revela a empreendedora.

Gratidão e autoestima

Com pouco tempo no mercado já são enviadas para o interior do AM e para São Paulo (Reprodução/Instagram)

Ao investir nos produtos e mergulhar no universo empreendedor, Louise não só encontrou uma fonte de renda extra e, mesmo sem intenção, a jovem trans empreendedora exerce um papel de referência para a comunidade T, que é o maior alvo de violência, preconceito e falta de oportunidade dentro da realidade LGBTQIA+.

“Me encontrar nesse espaço me deixa muito feliz e trabalhar com esse público em que me insiro está sendo muito gratificante, principalmente quando recebo os feedbacks das minhas clientes e entendo que não vendo só calcinhas. Com as peças eu entrego conforto, autoestima e aceitação também. E, meu Deus, minha mãe e eu ficamos bobas demais quando a gente percebe a importância desse projeto”, finaliza.

A costura (Reprodução/Instagram)