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2 de dezembro de 2021
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Thiago Fernando – Da Revista Cenarium

MANAUS – Tradicionalmente o Centro comercial de Manaus é palco do frenético movimento de pessoas e veículos, que lota diariamente as ruas e calçadas, mas que por conta da pandemia de Covid-19, estão ficando vazias. A rara cena impactou comerciantes e ambulantes que acumularam prejuízos durante o período de isolamento e tentam se recuperar aos poucos.

Proprietária do Tacacá* da Ivete, um dos mais tradicionais estabelecimentos de comidas típicas do Amazonas, localizado na esquina da Avenida Ramos Ferreira com a Rua Tapajós, Ivete Jorge, de 60 anos, revelou que a tristeza tomou conta do Centro histórico de Manaus.

Segundo a comerciante, já acostumada com o ritmo frenético de turistas no local, foi “estranho” não ver o movimento de carros nos arredores do Teatro Amazonas, um dos monumentos da “Belle Époque” que marcaram a “era da borracha” no Estado.

A barraca da Ivete funciona há mais de 50 anos na esquina da Avenida Ramos Ferreira com a rua Tapajós (Thiago Fernando/Revista Cenarium)

“O movimento no Centro reduziu e fiquei muito triste, porque ficava aqui e não via carros passando. A pandemia veio para acabar com a gente, tivemos um prejuízo muito grande. Fiquei devendo três meses de aluguel, mas graças a Deus, tudo começou a melhorar. Nossos clientes estão voltando aos poucos. Voltamos a encerrar as atividades às 17 horas. Já consegui pagar dois alugueis que estavam atrasados”, relatou Ivete.

Receio

Com 30 anos trabalhando como flanelinha ao lado do Teatro Amazonas, Renato Moreira Assis, de 49 anos, disse ser nítido que a população ainda está receosa de transitar pelo Centro de Manaus.

Renato Assis viu sua renda reduzida durante à pandemia da Covid-19 (Thiago Fernando/Revista Cenarium)

“O movimento diminuiu muito no Centro. Normalmente, ele começa às 8h e vai até as 23h, agora está terminando bem mais cedo. Essa pandemia atrapalhou muito. Foi muito difícil para mim, apertou um ‘bocado’. O que me ajudou foi a ‘ajuda’ do Governo Federal. Sou pai de três filhos e o auxílio emergencial ajudou bastante. Se não fosse ele, seria muito pior. Não tinha renda”, revelou Assis.

Volta às aulas é esperança

Nos últimos 20 anos a maneira mais fácil de encontrar o picolezeiro Carlos Alberto, de 57 anos, é ao lado do portão da escola Adalberto Valle, localizada na rua Tapajós. Com a pandemia, às aulas foram suspensas e o vendedor teve que se ‘mudar’. Ao lado de seu fiel companheiro, o carrinho de picolé, Carlos passou a circular pelo entorno do Teatro Amazonas atrás de clientes.

Apesar da reabertura do comércio – autorizada parcialmente desde o dia 1º de junho –, as vendas continuam discretas. Para o picolezeiro, a esperança é a retomada das aulas presenciais, previstas para agosto.

O picolezeiro Carlos Alberto revelou que anseia pelo retorno das aulas para recuperar os prejuízos acumulados durante o isolamento social (Thiago Fernando/Revista Cenarium)

“As vendas estão muito devagar. Antigamente, eu vendia 120 dindins e 40 picolés. Hoje em um bom dia, consigo vender 25 dindins e 20 picolés. Estou ficando sem renda. O que tem me salvado é o auxilio emergencial. Sem essa ajuda, não sei onde estaria. Espero que as aulas voltem logo. Essa é a minha esperança, porém, sei que não será como antes”, finalizou.

Trabalho informal dispara

De acordo com a última pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Manaus está acima da média brasileira em relação ao número trabalhadores na informalidade.

A cidade registrou 58,35% no regime informal. Os dados referem-se ao último trimestre de 2019. O IBGE informou que no País, a taxa é de 40,9%.

(*) Prato típico do Norte do Brasil feito a partir da mistura entre o tucupi (caldo feito a partir da mandioca), camarões, jambu (erva que causa uma leve sensação de dormência na boca) e goma de tapioca.