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26 de janeiro de 2022
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Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

MANAUS – Em meio à operação da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) neste fim de semana para combater o garimpo ilegal no Rio Madeira, algumas perguntas ficam sem respostas, como o destino das famílias que tiveram as balsas queimadas. Para levantar a discussão, a CENARIUM ouviu o professor do curso de Mestrado Ambiental da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e doutor em Ciência Socioambiental Erivaldo Cavalcanti para falar sobre o tema. Ele defendeu que o estado brasileiro precisa criar alternativas de renda dentro da legalidade para as pessoas que estão na atividade ilegal.

“É necessário que se entenda que do outro lado também tem pessoas que querem gerar riqueza, que querem gerar renda e que precisam de uma atividade. A questão é que, em nome disso, a gente não pode permitir o ilícito e aí, mais uma vez, é necessária a presença do estado brasileiro e, quando eu digo estado brasileiro, é o estado com todos os seus entes federativos, é a União, é o Estado federativo e também os municípios. Quem está inserido nessa atividade, muitas vezes, não tem outro caminho para tomar”, destacou Erivaldo.   

Professor do Mestrado Ambiental da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e doutor em Ciência Socioambiental, Erivaldo Cavalcanti. (Reprodução)

O doutor em Ciência Socioambiental defendeu alternativas para que se gere renda. “O Estado não deve atuar apenas como condução coercitiva, ele precisa também apresentar respostas, alternativas a essas demandas, o que fazer com aquelas pessoas? Jogar no meio das cidades para que elas façam ‘o se vira’? Não. O Estado deve chegar lá, mostrar a questão ambiental, mas, ao mesmo tempo, criar, no mínimo, alternativas de renda para essas pessoas. Alternativas estas dentro de um eixo da legalidade. Com exceção dos financiadores que estão por trás daquelas embarcações, as pessoas que estão ali é porque não têm outra coisa para ganhar dinheiro. Então, é isso que o Estado precisa também fazer”, finalizou o professor.

Veja também: Entenda como o garimpo ilegal degrada o ecossistema e afeta a saúde dos povos tradicionais da Amazônia

Pela manhã, um grupo de garimpeiros fez uma manifestação, no município de Borba (distante 149 quilômetros de Manaus), contra a operação, já que é da exploração ilegal de minérios que tiram uma renda. Na cadeia de produção dentro das dragas, são empregadas, em média, cinco pessoas que, ao longo das 24 horas, vão se revezando na atividade.

Operação

Segundo o ministro da Justiça, Anderson Torres, mais de 60 balsas foram incendiadas durante o primeiro dia de operação ao longo do Rio Madeira. A operação deflagrada tem o objetivo de desarticular a ação dos garimpeiros ilegais que atuavam em mais de 300 “balsas-dragas” realizando a extração ilegal de metais do Rio Madeira. Neste domingo, 28, os agentes da PF e do Ibama deram prosseguimento às fiscalizações no município de Borba.

Veja também: ‘Não somos bandidos’, dizem garimpeiros que insistem em ficar no Rio Madeira, após operação da PF

Nota do Ibama

Em nota, o Ibama informou que a operação integrada com a Polícia Federal, Força Nacional e Marinha do Brasil atua de forma contundente contra o garimpo ilegal na região do Rio Madeira, no Amazonas e que a operação teve início na última quarta-feira, 24, quando helicópteros do Ibama fizeram o reconhecimento do local, ajustando todos os pontos necessários para a intervenção das forças de repressão do Estado, trazendo assim resultados efetivos no combate aos crimes ambientais naquela região. O governo continuará atuando no local, até que a situação esteja resolvida.

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