31 de outubro de 2020

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Da Revista Cenarium*

MANAUS – “Estamos ao vivo?”, Gal Costa perguntou diversas vezes no show de comemoração de seu aniversário de 75 anos, celebrados neste sábado, 26. A cantora enfrentou alguns problemas técnicos, falou sobre as queimadas no Pantanal, cantou alguns de seus maiores clássicos, se emocionou e chegou a chorar durante a transmissão -exibida na TV, no canal TNT e no YouTube.

Gal é uma das últimas grandes cantoras do Brasil a se render ao formato de lives, que se tornaram bastante populares durante a pandemia. “Acabei cedendo às lives. Parece que a gente vai estrear um show. Carrega uma emoção na gente”, ela disse.

O show começou com “Eu Vim da Bahia”, que acabou tendo um trecho cortado logo no começo da transmissão. Ela emendou diversos clássicos muito conhecidos na sua voz, entre eles “Baby”, “Vapor Barato”, “Modinha para Gabriela”, “Força Estranha”, “Que Pena” e “Sua Estupidez”, nas cerca de 20 músicas apresentadas em uma hora e meia.

As performances musicais foram entremeadas por depoimentos de amigos. Os companheiros Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque e Milton Nascimentos apareceram em vídeos projetados na parede de um prédio em frente à Casa de Francisca, espaço cultural em São Paulo de onde Gal transmitiu seu show.

Já Maria Bethânia enviou um áudio parabenizando a cantora, e a participação de Tom Zé veio através de um vídeo antigo, no qual o tropicalista se derrete em elogios a Gal Costa. A homenageada se emocionou algumas vezes, mas manteve a postura para dar continuidade ao repertório.

Antes de cantar “Luz do Sol”, composição de Caetano, Gal falou sobre as queimadas no Pantanal. “É uma oração à natureza e eu achei adequado cantar e lembrar do Pantanal que está pegando fogo, das florestas do Brasil que estão pegando fogo, por irresponsabilidade do governo. Acho que a gente tem que cuidar da natureza. Ela é sagrada, é Deus. Quer um contato com Deus? Vá à natureza”, disse.

A cantora, que estava suando, reclamou do calor, perguntou diversas vezes se estava ao vivo, ficou confusa com as trocas de câmeras e com os movimentos que ela tinha de fazer, como ir até a varanda para receber as homenagens ou trocar de cômodo para cantar. A cineasta Laís Bodanzky -que dirigiu a live- guiou Gal durante a transmissão, que recebeu críticas na internet pelas câmeras tremidas e instáveis e a atmosfera esfumaçada do ambiente.

Durante “Você Não Entende Nada”, Gal reclamou que o baixo estava estourando no retorno dela. A sensação era a de que a cantora não estava tão confortável com o formato, o que pode ter acabado influenciando sua performance, apesar do esforço pessoal.

No YouTube, ela teve a um pico de audiência de 40 mil pessoas simultâneas. Gal foi acompanhada por uma banda reduzida, sem percussão, em clima acústico, com os músicos Pedro Sá (violão), Fábio Sá (baixo) e Chicão (piano), que estiveram com ela em sua última turnê.

Os arranjos mínimos acabaram ressaltando o vozeirão marcante da cantora, sempre em primeiro plano, ainda que ela não estivesse com a voz na melhor forma -chegou a dizer que ensaiou duas vezes para a live e praticamente não cantou em casa durante os meses de isolamento social. A esta altura da carreira, Gal naturalmente não tem mais a potência vocal de seu auge, o que ela dribla dosando com habilidade os momentos de maior e menor intensidade nas performances.

O formato acabou valorizando as performances delicadas de baladas de compositores como Lupicínio Rodrigues (“Volta”), Djavan (“Açaí”) e Lulu Santos (“Creio”), além de Caetano Veloso (“Sorte”, “Força Estranha”, “Você Não Entende Nada”, entre outras) e Chico Buarque (“Folhetim”). De suas gravações mais recentes, ela cantou “Palavras no Corpo”, presente no disco “A Pele do Futuro”, de 2018.

Antes de ir embora, Gal recebeu o pedido para cantar um bis. “Estamos ao vivo? Gente, vocês estão loucos? Que gente doida é essa? Não pode. A gente não ensaiou não.” Mas ela acabou cantando a tradicional “Festa do Interior”. Gal pediu ajuda do público em casa, antes de deixar o palco para ir à sacada da casa de shows, onde posou com uma faixa com os dizeres “Gal75”.

(*) Com informações da Folhapress

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