Em abril, casos de Covid-19 em indígenas subiram em 800%, segundo Apib

Da Redação

As mortes de indígenas contaminados por Covid-19 aumentaram 800% em 15 dias, durante o mês de abril. Foram nove casos registrados entre os dias 6 e 21, um salto se comparado com o mês de março, que registrou a primeira morte pela doença de uma indígena do povo Borari, de 87 anos, no município de Santarém (PA).

O levantamento é da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), divulgado na quinta, 24. As informações foram colhidas tomando de base os balanços da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e em contato com secretarias estaduais e as próprias lideranças indígenas.

Segundo a Apib, o número de contaminados pode ser ainda maior levando em conta as subnotificações pelo Governo Federal, que não se aproximam de dados mais precisos.

Dos 10 casos registrados pela Apib até ontem, apenas quatro são contabilizados pela estatística da Sesai. A associação, que representa 35 etnias do Brasil, lamentou o fato do poder público não acompanhar e registrar os indígenas que vivem nas cidades fora dos territórios tradicionais.

“É um ato de racismo institucional. Continuamos exigindo a revogação urgente da portaria 070/2004 para garantir o atendimento de todos os indígenas, aldeados ou não”, disse a entidade em nota.

A associação orienta, nesse sentido, que os parentes vivendo fora dos territórios ou que estão nas cidades para realizar tratamento do Covid-19 exijam o registro no cadastro do SUS como indígena, indicando o nome do povo nativo.

“Não aceitamos ações que invisibilizem os povos para camuflar o risco real de um novo genocídio. A taxa de mortalidade entre os povos indígenas por doenças como a gripe é muito alta”, reforça outro trecho do texto.

Os representantes ainda afiram que recebem, diariamente, denúncias de casos suspeitos em diversos territórios, onde “não estão sendo testados e devidamente acompanhados”. O pedido maior é ao governo federal e governadores de cada estado para a adoção de medidas de proteção dos povos indígenas. “Não estamos expostos apenas ao vírus, mas também ao aumento das invasões e crimes cometidos contra natureza e as nossas vidas”, finalizou a Apib.

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