Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
25 de junho de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – “A situação é complicada, precisamos de ajuda e não temos para onde ir. Pedimos ajuda do prefeito, pois votamos nele e, na hora que a gente mais precisa, ele não está do nosso lado”, esse é o pedido de socorro do senhor Márcio José, morador do beco Inocência Araújo, bairro Educandos, zona Sul de Manaus. 

O beco abriga pelo menos 5 famílias, que juntas aos outros moradores, próximos à área alagada, reivindicam a construção de pontes de madeira no local, para que possam se locomover em segurança, uma vez que a cheia do rio Negro e os problemas que surgem nesse período preocupam os moradores daquela localidade.

De acordo com os moradores, as pontes de madeira e a limpeza do igarapé são essenciais e garantem, inclusive, a segurança das famílias que vivem amedrontadas com a presença de animais silvestres como cobras e jacarés, atraídos por causa da grande quantidade de lixo nas águas que já estão invadindo as residências.

Márcio José, morador do beco Inocência Araújo, bairro Educandos, zona Sul de Manaus (Reprodução/Caroline Viega)

“Não tem madeira”

Além de conviver com o medo de serem atacados por animais com o lixo, mau cheiro e marombas antigas que já estão cobertas pelas águas do rio Negro. Os moradores alegam que quando recorrem há algum tipo de auxílio para amenizar o sofrimento, ainda têm que passar pelo constrangimento de ter que se conformar com a falta de madeira suficiente para a construção de pontes.

“A situação está precária, fazem uma parte e não fazem a outra. Disseram que não têm madeira e que prefeitura não teria mandado e que só enviaram uma quantidade para fazer só a metade e o resto, como fica? Para quem tem criança em casa, que ficam vulneráveis a todo tipo de bicho aqui? O povo que mora na beira do rio precisa ser olhado, poxa! Só precisamos de uma ponte decente para passar”, desabafa a vendedora de salgado e uma das moradoras do beco, Cristina Batista.

Auxílio

Os moradores também alegam não ter, até o momento, a resposta sobre o auxílio-aluguel, onde famílias afetadas pela cheia receberiam o valor de R$ 300,00 em um período de dois meses como forma de ajuda.

“Até agora não tem auxílio, não tem nada. Não tivemos resposta, fizemos um cadastro, mas não sabemos se vamos receber algum benefício. Estamos esperando, porque a gente precisa, principalmente nós que somos mãe e que temos medo de nossos filhos se tornarem vítimas desses bichos que rondam aqui, principalmente cobras que entram em nossas casas”, conta a dona de casa Eliane Ribeiro.

Para o morador Márcio José, o valor estimado de R$ 300,00 é muito pouco e não atende as necessidades reais das famílias em situação de risco e afetadas pela cheia. “A gente não tem para onde ir e com o valor desse auxílio não tem como alugar, sem condições e temos que permanecer aqui. Então que venha pelo menos a ponte”, ressalta o morador.

Segundo os moradores, não tem madeira suficiente para construção de pontes no local (Reprodução/Caroline Viegas)

Nota

Em nota, a prefeitura informou que está atuando no bairro Educandos e que o beco Ajuricaba já está em obras e brevemente irá atender o beco Inocência no mesmo bairro. No que tange ao cadastro das famílias para futuros benefícios, a prefeitura apenas informou que a Secretaria da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), juntamente com o Fundo Manaus Solidária, cadastrou 676 famílias. A reportagem entrou em contato com a Semasc, mas até a publicação da matéria não houve retorno.

Cheia do rio Negro

Na última sexta-feira, 30 de abril, o rio Negro atingiu a cota de inundação severa (de 29 metros). De acordo com o 2º Alerta de Cheia divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Manaus tem previsão de chegar a uma cheia da mesma magnitude da registrada no ano de 2012, quando o nível do rio Negro alcançou 29,97 metros.

Em Manaus, 5 mil famílias são monitoradas pela Defesa Civil e mais 15 pontos diversos da cidade. Algumas das ruas do Centro da cidade já começam a ficar alagadas, o bairro Mauzinho, localizado na zona Leste, por exemplo, costuma ser um dos pontos mais afetados.