6 de março de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – As perdas acumuladas pelo setor turístico do Amazonas durante todo o período de pandemia de Covid-19 poderiam ser mitigadas por ações de educação social. A sugestão do especialista entrevistado pela REVISTA CENARIUM nesta sexta-feira, 19, indica caminhos para frear a diminuição brusca de emprego e renda.

De acordo com o economista Origenes Martins, o distanciamento social é tão importante quanto o uso de máscara e a higienização com álcool em gel. “O distanciamento trouxe um impacto imediato. Inicialmente a proibição do uso de locais turísticos das cidades e do compartilhamento de espaço em bares e restaurantes afetou a economia turística ”, observou.

Roteiro turístico no Tarumã-Mirim, em Manaus (Reprodução/Amazonastur)

“A queda no setor de turismo produz uma diminuição brusca de emprego e renda, o que significa uma implicação econômica importante. Além disso, se tivesse um trabalho de educação social, isso poderia ser evitado”, sugeriu o economista, sobre as normas de limitação das viagens, tanto na capital quanto no interior do Amazonas.

Segundo o economista, o trabalho de educação social pode mobilizar um retorno progressivo nas atividades econômicas, incluindo as turísticas. “Lembrando que o turismo é um setor que movimenta valores bastante significativos, tanto para a sociedade quanto para o governo na arrecadação de impostos”, ressaltou.

Raio X

De acordo com os dados da Pesquisa Raio X do Turismo frente à Covid-19, realizada em abril de 2020 pela Rede Observatório de Turismo da Universidade Estadual do Amazonas (Observatur-UEA), o setor turístico no Amazonas vem registrando uma queda significativa.

A pesquisa do Observatur registrou uma redução de 66% no faturamento causado pelas medidas de isolamento social adotadas por conta da pandemia da Covid-19. O turismo registrou ainda uma queda 72% no faturamento das agências e 70% em hospedagens no mês de março de 2020,

Apresentação do Boi Garantido no Festival de Parintins. (Reprodução/Secom)

Com isso, ficou marcado o início do comprometimento nas finanças para o setor turístico. Ainda no mesmo mês, aproximadamente 55% puderam sentir a queda no faturamento, cerca de 60% tiveram cancelamentos de reservas, 50% tiveram que reembolsar os clientes e 53% tiveram serviços cancelados.

Campanhas

O setor turístico amazonense sofreu com a queda de cerca de 48% em outubro de 2020, segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). Por essa razão, o coordenador de empreendedorismo da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Wildney Mourão, detalhou a campanha para divulgar o retorno gradual do turismo local.

O projeto é baseado em filmes exibidos nas redes sociais, que contam a história de cada pousada e como chegar até os destinos. Wildney diz que as comunidades tentam converter o cenário. “Obviamente que a Covid-19 está presente e isso tem sido um grande desafio, ao equilibrar a saúde e a vida das pessoas da comunidade com a presença de turistas”, destacou.

Destinos

Confira a lista de destinos turísticos do Amazonas afetados pela pandemia, que buscam recuperação.

  • Parque Nacional Anavilhanas – O local é composto por 400 ilhas em meio à Floresta Amazônica. O parque é também uma área de preservação ambiental que passa pelos municípios: Novo Airão, Iranduba e Manaus.
  • Parque Ecológico do Lago Janauari – O parque é bastante procurado pelos turistas. Nele é possível ter traços marcantes, sendo um deles o famoso Encontro das Águas.
  • Teatro Amazonas – O ambiente é um dos lugares mais refinados de Manaus, um exemplo de arquitetura, com estilo renascentista. Ele é um dos principais cartões-postais da capital amazonense.
  • Presidente Figueiredo – O município é um dos locais mais procurados na região e conta com vários passeios guiados. Nele você encontra a Cachoeira da Pedra Furada, uma queda d’água que vem de furos na parede da pedra.
  • Festival de Parintins – O Festival Folclórico do município é uma festa popular que acontece todos os anos, no interior do Estado do Amazonas. A festa conta com a competição entre os bois Garantido e Caprichoso. O festejo é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).