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29 de julho de 2021
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Com informações do O Globo

BRASÍLIA – O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias negou à CPI da Covid, no Senado, que tenha pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Ele foi exonerado do cargo logo após a denúncia do suposto pedido de propina se tornar pública, além de ter sido acusado de apressar dentro do ministério a aprovação da vacina indiana Covaxin.

Segundo a denúncia do policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, Dias teria pedido US$ 1 por dose durante um jantar em Brasília. O ex-diretor, por sua vez, afirmou que está sendo injustamente acusado, que as acusações não têm materialidade e chamou o PM de ‘picareta’.

Ele confirmou que conheceu Dominghetti no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, mas negou ter pedido propina e disse que solicitou ao representante da empresa Davati que encaminhasse um pedido formal de compra de vacina, que nunca prosperou.

“Estou sendo acusado sem provas por dois cidadãos, o senhor Dominghetti, que aqui nesta CPI foi constatado ser um picareta que tentava aplicar golpes em prefeituras e no Ministério da Saúde”, disse Dias completando: “O deputado Luis Miranda possui um currículo controverso”, disse, fazendo menção ao parlamentar que, à CPI, o acusou de pressionar pela aprovação da Covaxin.

Em depoimento à CPI, Dominghetti afirmou que Dias teria pedido propina para a compra de 400 milhões de doses da AstraZeneca.

Apontado como indicação do deputado Ricardo Barros (PP-PR) e do ex-deputado Abelardo Lupion, Dias é considerado peça-chave para desvendar detalhes de denúncias dos dois supostos esquemas de propina na compra de vacina pelo Ministério da Saúde, envolvendo as doses da AstraZeneca oferecidas por Luiz Dominghetti e a indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech, o imunizante mais caro negociado pelo governo até agora.

Dias rebate acusações

Em sua fala inicial, Dias reclamou estar sendo “massacrado” e entende que isso deve ao fato de ter tomado iniciativa para enfrentar a pandemia.

“Estou há mais de dez dias sendo massacrado e citado em todos os veículos de comunicação sem que haja uma única prova ou indício que sustente tais acusações”, afirmou, acrescentando: “Nuca pedi nenhuma vantagem ao senhor Dominghetti ou a ninguém”, disse.

Sobre a acusação de pressão para liberar a Covaxin, ele disse que pensou ter sido retaliação por ter negado um pedido de cargo ao servidor Luis Ricardo Miranda, irmão do deputado Luis Miranda (DEM-DF). Mas disse que agora vê razão financeira por trás, porque Miranda teria tido algum negócio frustrado. Ele afirmou que vai apresentar queixa-crime por calúnia e difamação contra as pessoas que o acusam.

As negociações para aquisição da Covaxin são investigadas pela CPI da Covid, pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Roberto Dias disse que, de forma geral, as empresas intermediárias tentam obter do Ministério da Saúde um documento chamado LOI (“letter of intent” em inglês, ou carta de intenção). Isso permitiria que elas negociassem em nome da pasta.

“Da Davati, recebi e-mails cobrando posição do ministério. Meu único e-mail foi: eu preciso da carta de representação da Astra Zeneca”, afirmou.

Dias disse que foi nomeado para o cargo pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, por indicação do ex-deputado Abelardo Lupion. A cada troca de ministro, afirmou, permanecia no posto por conhecer bem a área. Questionado pelo relator Renan Calheiro por que o ex-ministro Eduardo Pazuello quis demiti-lo em certo momento, após irregularidades na aquisição de testes de Covid-19, Dias disse desconhecer esse episódio.

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