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26 de janeiro de 2022
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Com informações do UOL

MACEIÓ – Há dois meses, a desempregada Niedja da Silva, 29, deixou o barraco onde vivia na favela da Vila Emater, em Maceió, para morar com o marido e as duas filhas na praça do Conjunto José Tenório, no bairro Serraria, em Maceió. Embaixo de uma lona, pede ajuda a quem passa.

Comunidade formada por antigos catadores de lixo no bairro Serraria, em Maceió (Beto Macário/UOL)

A família dela é uma das 14,5 milhões registradas no Cadastro Único do governo federal (CadÚnico) vivendo em extrema pobreza. “A gente hoje vive à base da doação. As pessoas nos ajudam com qualquer coisa, senão vivíamos na fome completa”, disse ela.

O número alcançado em abril é o maior de famílias na miséria desde o início dos registros disponíveis do Ministério da Cidadania — a partir de agosto de 2012— e representa mais de 40 milhões de pessoas.

A desempregada Niedja da Silva cozinha na praça em Maceió, onde vive há dois meses (Beto Macário/UOL)

Antes da pandemia, em fevereiro de 2020, no País havia 1 milhão a menos: 13,4 milhões. Família em extrema pobreza é aquela com renda per capita de até R$ 89 mensais, de acordo com o governo federal. Em regra, são pessoas que vivem nas ruas ou em barracos de favelas. Há ainda 2,8 milhões de famílias vivendo em pobreza (com renda entre R$ 90 e 178 per capita mensais).

Durante a entrevista em sua “casa”, ou seja, embaixo da lona montada na praça à beira do asfalto, Niedja da Silva é chamada pelo motorista de um carro. Recebe três pacotes de massa de milho para cuscuz. É assim, as pessoas aqui passam, nos veem e ajudam. Aqui é melhor do que lá [na favela], onde ninguém nos via.”

O marido de Niedja estava fora no momento em que a reportagem a visitou, catando material reciclável nas ruas. Ela conta que ele foi demitido no início do ano passado por uma empresa de material reciclável. A família conseguiu manter o pagamento do aluguel do barraco em que vivia (pagando R$ 180 por mês) graças ao auxílio emergencial.

Entretanto, a situação de miséria chegou com o fim do benefício em 2021 —beneficiária do Bolsa Família, a família recebe R$ 130 por mês— e foi despejada do imóvel. “Não dava mais para pagar pela casa. Meu marido passa o dia fora e só volta quando termina de conseguir algo. Mas vale muito pouco o que ele cata, é só uma ajuda mesmo com coisas básicas, afirma ela, que pede para não ser fotografada de frente. “Tenho vergonha de foto”, diz.

Neste mês diz que começou a receber R$ 375 do novo auxílio emergencial. “Ajuda, a gente consegue comer pelo menos duas vezes por dia, mas ainda é muito pouco, não dá para pagar para morar em um lugar digno”, conta.