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19 de novembro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – “O governo não explica como será a base de cálculo da redução de emissões. É importante que isso seja feito para que não haja nova pedalada climática, como houve em dezembro de 2020″, criticou nesta segunda-feira, 1º, a coordenadora de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil, após o ministro do Meio Ambiente (MMA), Joaquim Leite, discursar sobre novas metas climáticas de redução em 50% das emissões até 2030.

Para a coordenadora do Greenpeace, a fala do ministro do meio ambiente, que representou o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) no evento via videoconferência, não apresentou informações transparentes quanto às reduções reais nas emissões dos gases de efeito estufa.

“A mudança da base de cálculo pode fazer com que se permita mais emissões que nas metas passadas. Quanto ao País se tornar carbono neutro até 2050, é necessário que a meta não seja baseada em compensações, mas sim em diminuição das emissões com mudanças sistêmicas, como o investimento em energia renovável e agroecologia, desmatamento zero, e adaptação à crise do clima, com recurso para perdas e danos, principalmente para a população em situação de vulnerabilidade”, disse a coordenadora de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil.

Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite (Reprodução/Lincoln Siebra/MRE)

Meta e retrocesso

Segundo o ministro do Meio Ambiente, a meta climática será mais audaciosa. “Apresentamos hoje uma nova meta climática, mais ambiciosa, passando de 43% para 50% até 2030; e de neutralidade de carbono até 2050, que será formalizada durante a COP26”, confirmou Joaquim Leite.

Vale ressaltar que esta, é a terceira vez que o Brasil refaz a meta climática em menos de um ano. A declaração de Leite na COP26 sobre a meta de redução de emissões de gases do efeito estufa vai na contramão da meta apresentada na Organização das Nações Unidas (ONU) em 2020. Na ocasião, os países renovaram as metas estipuladas no Acordo de Paris, em 2015, de manter o aquecimento global em no máximo 2ºC, preferencialmente 1,5ºC até 2050.

Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), integrado ao Observatório do Clima, o Brasil apresentou um aumento de 9,5% nas emissões de gases poluentes no ano passado. Com a pandemia, a média global de emissões, ao contrário do Brasil, apresentou uma redução de 7%, por conta das paralisações industriárias. Até o ano de 2030, o Brasil terá permitido a emissão de 400 milhões de toneladas de gases do efeito estufa a mais do que o previsto na meta inicial.