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16 de novembro de 2021
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Via Brasília – Da Revista Cenarium

Pouco caso

Publicamente, o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) até pode posar de indiferente e fazer pouco caso da entrada do ex-ministro Sergio Moro na corrida presidencial, mas, em privado, há certa tensão. Enquanto parte do entorno do presidente desdenha, um general de sua confiança traduziu a preocupação de que Moro ostente a bandeira de combate à corrupção, visto que Bolsonaro não tem mais as credenciais para empunhá-la. Tão logo Moro se filiou ao Podemos, o presidente acelerou seu ingresso no PL de Valdemar Costa Neto, quinta-essência do Centrão, com condenações no Mensalão.

O alvo

A julgar pelo discurso de Sérgio Moro, que todos acreditavam ter como alvo principal Luiz Inácio Lula da Silva — na dianteira de todas as pesquisas divulgadas — o ex-juiz mirou nas rachadinhas e no orçamento secreto, os calcanhares de Aquiles de Bolsonaro. Não precisa ser expert político para inferir que Moro busca atrair bolsonaristas arrependidos, e pode fazer estragos, visto que disputarão o eleitorado da direita. Internamente, os fiéis ao presidente veem a candidatura de Moro à presidência como um balão de ensaio para uma tentativa de voo ao Senado.

Moro e Mandetta

Pelo sim, pelo não, o Podemos já ensaia aproximação com o União Brasil, nova legenda que reúne DEM e PSL. Não se trata apenas dos afagos recebidos por Moro pelos deputados “lavajatistas”. É o próprio ex-juiz quem tem conversado com o pré-candidato do União, Henrique Mandetta. Nas próximas semanas, Moro deve ampliar a agenda em Brasília para falar com os deputados de seu partido. Para a legenda, a conversa de que ele poderia ser candidato ao Senado é carta fora do baralho.

Expurgo

Moro é mesmo pré-candidato a presidente e será tratado como tal. Essas reuniões com deputados não devem incluir os quatro parlamentares que votaram a favor do governo na PEC dos Precatórios. O comando do Podemos envia recado a eles, dizendo que dificilmente estarão na legenda no ano que vem. Não fala em expulsão, mas diz que eles não são bem-vindos.

Bolsonaro e Centrão

Enquanto Moro se movimenta, Bolsonaro se joga de vez no colo do Centrão, no dia 22 de novembro. O tal “Estado mínimo” defendido por seu ministro da Economia, Paulo Guedes, virou piada. Desagrada ao apetite do Centrão e destoa do ideário centralizador do presidente, que prefere um Executivo forte. A dinâmica da reeleição já conta com o Auxílio Brasil de R$ 400 mensais para 17 milhões de pessoas e mira milhões de invisíveis fora dos programas sociais, ou seja, vem mais gastança por aí. Só o Guedes acreditou…