Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
26 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE

Da Revista Cenarium*

Quase 600 mil cidadãos de Hong Kong foram às urnas neste fim de semana, no que a oposição da cidade controlada pela China disse ter sido um voto de protesto simbólico contra a lei de segurança nacional imposta recentemente por Pequim.

A votação não oficial -levada a cabo em 250 centros eleitorais- decide os candidatos pró-democracia mais fortes para disputar eleições em setembro para 70 cargos no Conselho Legislativo do território.

As filas eram longas sob o sol, e as pessoas votavam com seus celulares depois de terem suas identidades verificadas.

Os vencedores serão anunciados na noite de segunda, 13, após a contagem dos votos.

Os candidatos se aproveitam de uma onda de sentimento contrário à China provocada pela lei de segurança nacional, que restringe severamente as liberdades de Hong Kong.

“Um alto comparecimento enviará um sinal bastante forte para a comunidade internacional de que as pessoas de Hong Kong nunca desistem”, disse Sunny Cheung, 24, um dos jovens democratas aspirantes.

Organizadores disseram que 582 mil pessoas votaram entre sábado, 11, e domingo, 12, mais do que o esperado. O número é cerca de um terço dos eleitores que defenderam os democratas em uma eleição no ano passado.

A nova lei de segurança nacional, que entrou em vigor há poucos dias, dá amplos poderes para uma agência do governo central perseguir e processar pessoas envolvidas em atividades consideradas subversivas, secessionistas, terroristas ou em conluio com potências estrangeiras contra o domínio chinês.

Para ativistas pró-democracia, que desde o ano passado tomaram as ruas de Hong Kong, a lei representa o fim do regime conhecido como “um país, dois sistemas”, no qual a antiga colônia britânica mantinha um grau de autonomia política e o capitalismo desregulado que marca as transações locais.

Na quinta-feira, 9, o secretário de Assuntos Constitucionais e Continentais, Erick Tsang, disse que aqueles que “organizam, planejam e participam” das eleições primárias podem ser considerados culpados pela lei de segurança.

Apesar dessa votação tática para maximizar as chances da oposição, alguns ativistas pró-democracia temem que as autoridades ainda tentem impedir que certos candidatos concorram nas eleições de setembro.

“Eles podem prender ou desqualificar qualquer candidato que não gostem de acordo com a lei de segurança nacional sem uma razão adequada”, disse Owen Chow, um jovem candidato democrata.

(*) Com informações da Folhapress