Parlamentares do Congresso definem data de visita ao Vale do Javari, onde Dom e Bruno foram assassinados

Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

BRASÍLIA — Parlamentares do Senado e da Câmara dos Deputados definiram a data para viajar ao Amazonas e ouvir as autoridades envolvidas na investigação das mortes do servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai) Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dominic Mark Phillips, o “Dom Phillips”. Será na quinta-feira, 30, e sexta-feira, 1º, segundo informações repassadas à REVISTA CENARIUM. A viagem a Manaus e ao Vale do Javari, onde os dois foram assassinados, faz parte da agenda das duas comissões externas criadas no Congresso.

Da Câmara está confirmada, até o momento, a ida dos deputados José Ricardo (PT-AM) — presidente da comissão —, Joenia Wapichana (Rede-RR), Vivi Reis (Psol – PA), João Daniel (PT-SE), Rodrigo Agostinho (PSB-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG). Ainda há a possibilidade de outros três parlamentares, cujos nomes não foram informados, assim como as presenças ainda não foram confirmadas, embarcarem com a comitiva. Do Senado, irá o presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Na região, os parlamentares querem conversar com o superintendente da Polícia Federal (PF), Eduardo Fontes, responsável pela investigação, além dos presos: Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, Oseney da Costa Oliveira, o “Dos Santos”, e Jeferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, se não houver nenhum impedimento judicial.

Ministro não aparece

Nesta semana, estava agendado, na comissão do Senado, o comparecimento do ministro da Justiça, Anderson Torres. Ele foi convidado para debater as causas do aumento da criminalidade e de atentados contra povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e jornalistas na região Norte e em outras regiões do País, além da fiscalização das providências adotadas pelo Poder Público diante dos assassinatos de Bruno Araújo e Dom Phillips, mas não compareceu à sessão.

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Não foram dados os motivos para o não comparecimento do ministro, mas a assessoria parlamentar afirmou que ele está “à disposição para receber os parlamentares da comissão”. O senador Randolfe Rodrigues disse à REVISTA CENARIUM que, mesmo com a falta do ministro, o objetivo de ouvi-lo, assim como ao ministro da Justiça e o presidente da Funai, Marcelo Xavier, não está descartado. 

“A gente tem que ir à diligência, saber como está a investigação, ouvir a PF, se for o caso, ouvir os presos, se não houver nenhum impedimento judicial. Após isso, a gente ouve o ministro da Justiça e o presidente da Funai”, explicou.

Sem diálogo com o Executivo

O coordenador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliesio Marubo, afirmou, nessa quarta-feira, 23, que aguarda a oportunidade de um diálogo com o Poder Executivo para falar sobre os problemas da Amazônia. Segundo o representante indígena, além das comissões externas no Congresso, o Judiciário já se disponibilizou a ouvir as demandas da região do Vale do Javari, por meio do procurador-geral da República, Augusto Aras, que foi à região do domingo, 19.

“Tem muito as questões ideológicas. Certamente, se fosse evangélico ou indígena ligado ao agronegócio, já teria tido essa propositura”, disse Morumbo. “A gente não está fechado para o diálogo. Nós temos informações e estamos dispostos a conversar. Não tivemos, de forma alguma [interlocução], nem da Funai, nem de qualquer ministério, nem de ninguém ligado ao Poder Executivo, só do Judiciário e do Legislativo”, explicou.

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