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24 de outubro de 2021
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Com informações do Portal Alma Preta

MANAUS – “Por que não criar uma empresa onde as mulheres negras tenham conforto, confiança, e que ninguém duvida da sua capacidade intelectual? Foi isso que pensei ao criar o Plena A.I”. A fala é de Samara Rodrigues, CEO da startup voltada para inteligência de dados. A partir da reflexão de que as mulheres negras são subestimadas no mercado de trabalho, em especial, na área de T.I (Tecnologia da Informação), a empreendedora decidiu garimpar profissionais do segmento.

Samara explica que a startup surge também enquanto uma formadora de opinião a respeito das lacunas do mercado tecnológico. Segundo a empreendedora, as empresas comumente utilizam determinados tipos de tecnologias em que parte da população é beneficiada e parte não. Para ela, ninguém melhor do que as mulheres negras para entender essa desigualdade e preencher a brecha que o mercado apresenta.

“A mulher negra está na base da pirâmide e aceita todos os tipos de desafios. A chamada ‘mulher guerreira que aguenta tudo’, claro, ela não tem outra alternativa. Portanto, hoje quando se fala de inteligência de dados, a Plena entra em ação como uma consultoria que coloca a mão na massa com agilidade. Pegamos esses milhões de dados e transformamos em informações valiosas para as empresas”, detalha.

Os serviços da startup consistem em mapeamento do comportamento do público, com o objetivo de deixar mais assertivas as recomendações de produtos, auxílio na prevenção de ameaças, e implantação de boas práticas de governança corporativa. Dentro de seu escopo de trabalho está o reconhecimento do histórico financeiro comportamental para traçar as melhores linhas de crédito para os usuários.

Samara ressalta que a Plena A.I, atualmente, dá preferência para clientes que sejam também engajados com a diversidade racial e de gênero. Para ela é necessário se atentar às tendências do mercado corporativo para cada vez mais incluir pessoas anteriormente excluídas nos mais diversos espaços.

“Sabemos que não vamos atrair atenção de empresas que acreditam em meritocracia ou são excludentes com minorias de qualquer tipo. Estamos cientes e, na verdade, não nos importamos”, pondera a fundadora da startup.

Estímulo às mulheres negras

Com equipe totalmente composta por mulheres negras, a Plena possui uma força de trabalho voltada à oportunidade de criação e troca de saberes. A equipe atual é integrada pelas seguintes profissionais: Samara Rodrigues, CEO, fundadora e com formação em Tecnologia em Processos Gerenciais; Larissa Isabel e Vitória de Oliveira, Estaticistas; Lucimara Tejeda, que atua como Gerente de Risco; Letícia Pereira, Engenheira de Dados; e Érica Langa, Cientista de Dados.

De acordo com Samara, a própria criação de um espaço de trabalho na área tecnológica, em que as mulheres negras possam ingressar sem sofrer com racismo ou sexismo institucional, já serve como estímulo para que estudantes se sintam capazes de fortalecer a rede de trabalho e encorajadas a seguir carreira.

“O que a gente faz é importante, pois passa a mensagem para as meninas negras de que sim, elas podem estudar, fazer vários cursos, se especializar. Existe um lugar em que elas são aceitas e respeitadas. Não sei de onde a branquitude tirou que as mulheres negras são inferiores ou incapazes”, destaca Samara.

Racismo corporativo 

O racismo corporativo é um dos entraves que a fundadora da Plena A.I está disposta a lutar para eliminar. Samara ressalta a importância de um ambiente de trabalho saudável para mulheres negras e destaca a necessidade de pensar nas micro agressões que essas profissionais sofrem diariamente.

“Se você é uma pessoa preta, a sensação que você tem é de que não pode errar no mínimo que seja, pois a decisão de tirar você do quadro de empregados da empresa é mais rápido, mais fácil e ausente de remorso”, reforça a CEO.

A startup quer alcançar empresas grandes para poder efetivamente demonstrar a capacidade de trabalho de mulheres negras e a contratação de mais especialistas para integrar o time da Plena A.I.

“A diversidade é o que faz diferença. Para o futuro, penso na contratação de pessoas trans, refugiados. Novas mentes, novas ideias para contribuir com o crescimento e com o objetivo a longo prazo, que é se tornar uma big tech para agregar outras áreas do conhecimento tecnológico. Temos uma trilha para caminhar, mas sem perder o conceito de diversidade, cuidado e coletividade”, finaliza.