Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
10 de maio de 2021

Dólar

Euro

Manaus
23oC  29oC
Acompanhe nossas redes sociais

Matheus Pereira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Em nota de solidariedade direcionada ao ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas (PPGCASA/Ufam) apontou que ações como a mudança na liderança da PF transmitem uma mensagem de impunidade à sociedade.

Na última quinta-feira, 15, a direção da PF resolveu substituir o superintendente do órgão no Amazonas após o delegado ter enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o senador Telmário Mota (Pros-RR) e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bin. Sob o comando de Saraiva, a Polícia Federal realizou a maior apreensão de madeira nativa da história do País. Na ocasião foram apreendidos 131,1 mil metros cúbicos de toras, quantidade que daria para construir cerca de 2.620 casas populares.

Na nota, o PPG-Casa afirma que a saída do delegado tem a ver com os interesses do governo federal em relação ao meio ambiente e mais precisamente à operação realizada. “A saída nesse momento em que as políticas ambientais e suas instituições estão sendo alvo de inúmeras pressões de gestores e políticos do mais alto escalão da república, em desacordo com os interesses públicos, foi em retaliação à operação policial, que resultou na maior apreensão de madeira ilegal na Amazônia”, diz trecho da nota.

O delegado é ex-aluno do programa de pós-graduação da Ufam onde defendeu sua tese de doutorado. Na tese ele aponta que a preservação da Amazônia depende da modernização do combate às ações de organizacionais criminosas que, segundo ele, há uma atuação fraca do Estado no combate a esses crimes ambientais.

Para o sociólogo e professor da Ufam, Marcelo Seráfico, desde o início, o governo Bolsonaro se reitera e aprofunda uma postura em relação à educação, à ciência, à cultura e ao meio ambiento, cujo objetivo é de paralisar ou liquidar com as principais políticas de Estado. “Se trata meramente de uma politização, mas sim de uma política de destruição das instituições e de direitos, dentre os quais o de se ter um ambiente saudável”, afirma o especialista.

Delegado seguirá à frente das investigações

Em conversas entre madeireiros e investigados pela Polícia Federal, Alexandre Saraiva foi citado como “alvo a ser abatido”. Em outro diálogo, o investigado Roberto Paulino e o madeireiro Humberto Jacob de Barros Oliveira comentam sobre a necessidade de retirar Saraiva do cargo de superintendente da PF no Amazonas.

O delegado afirma que não é o único policial ou fiscal que sofre esse tipo de ataque e destaca que seguirá à frente das investigações, mesmo não estando mais no comando da organização policial no Amazonas. “Eu não fiz concurso para superintendente, eu fiz concurso para delegado de Polícia Federal e esse inquérito foi instaurado por mim, então eu continuo à frente das investigações, como superintendente ou não”, disse Saraiva.

Veja nota na íntegra

NOTA-DE-SOLIDARIEDADE