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17 de maio de 2021

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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – No momento em que o Brasil está perto de alcançar os 400 mil mortos por Covid-19 e o Amazonas ultrapassou 12 mil mortes pela doença, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) visitou Manaus nesta sexta-feira, 23, e incentivou aglomerações entre apoiadores que aguardavam para recebê-lo, desrespeitando os protocolos sanitários determinados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Bolsonaro esteve na capital amazonense para inaugurar a segunda etapa do Centro de Convenções Vasco Vasquez (CCAVV) – que teve o financiamento de recursos federais e estaduais – e para a entrega simbólica de cestas de alimentos a pessoas em situação de vulnerabilidade social. No local, fez um discurso criticando mais uma vez, medidas de lockdown e afirmando que está tirando o País das “garras da nefasta esquerda brasileira”.

“O Brasil começou a sair das garras da nefasta esquerda brasileira, esses que atrasam qualquer lugar do mundo começaram a ficar para trás. Imaginem essa pandemia com Haddad [Fernando Haddad] presidente da República, estaríamos em lockdown nacional, graças a Deus isso não aconteceu”, disse Bolsonaro.

Sem máscara, Jair Bolsonaro participa de cerimônia em Manaus, no Amazonas (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Título de Cidadão

A comitiva que acompanhou o presidente teve a participação do ministro do Turismo, Gilson Machado, do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, do chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello – investigado pela Justiça por omissão na crise de oxigênio do Amazonas em fevereiro deste ano, quando pacientes morreram asfixiados pela falta do insumo.

No evento organizado pelo Governo do Amazonas, Bolsonaro ainda agradeceu o Título de Cidadão Amazonense que recebeu durante a cerimônia. A honraria foi concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e causou muita polêmica entre apoiadores e não apoiadores do presidente, que questionaram se Bolsonaro deveria receber o título devido à crise epidemiológica que atinge o País e o Estado.

“Estou orgulhoso, até pelo momento que atravessa o Brasil e pelo momento que passou o nosso Estado”, disse o presidente, não citando a crise do oxigênio que atingiu o Amazonas.

Jair Bolsonaro recebeu título de Cidadão Amazonense concedido por deputados estaduais do Amazonas (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Terceira onda

Mesmo estando na fase laranja da situação de risco da pandemia da Covid-19, o Governo do Amazonas já se prepara para a possível terceira onda da doença no Estado. Nessa quinta-feira, 22, governador Wilson Lima teve reuniões com os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Relações Exteriores, Carlos Alberto França, em Brasília, no Distrito Federal, onde apresentou um plano de contingência e solicitou ajuda federal.

“A nossa preocupação principalmente é com relação aos insumos, ao oxigênio e kit intubação, que têm sido agora um problema no restante do País”, disse o governador durante a transmissão.

Simpatizantes do presidente foram autorizados a acompanhar cerimônia de inauguração de complexo em Manaus. (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Wilson Lima explicou que o Estado se antecipa em relação a uma possível subida repentina de casos da doença. “Todos nós sabemos o quanto é difícil a logística para chegar uma carga no Amazonas. Vem de balsa. Isso demora muito. Então, é importante que nos antecipemos”, disse o governador, ao destacar que o apoio do Governo Federal é fundamental para vencer os desafios logísticos decorrentes da posição geográfica do Amazonas.

Veja o vídeo

Ao final do evento, Bolsonaro foi ao encontro de apoiadores e promoveu aglomeração, desrespeitando protocolos sanitários (Marcela Leiros/Revista Cenarium)