25 de fevereiro de 2021

Com informações do Portal Brasil de Fato

MANAUS – No interior do Ceará, uma mulher trans transforma os impactos do isolamento social, do desemprego e da pobreza em motivos para rir da vida ao criar seu próprio espaço de trabalho. Rafaela Maia Magalhães, a Faela, deixou Jaguaribe, no interior do Ceará, para tentar a sorte no mercado formal de Fortaleza, onde cursou quatro semestres de Teatro e cinco semestres do curso de Psicologia.

Sem condições de se manter nos cursos sem estágio e sem emprego, esbarrou nas inúmeras dificuldades encontradas por pessoas sem experiência e transexuais e retornou para Jaguaribe. Vivendo com cerca de R$ 30 por mês e na expectativa de prestar concurso para a prefeitura de sua cidade, cancelado no início da pandemia, Faela decide investir na produção amadora de vídeos que já fazia desde 2018, como a webnovela Pobreza Brasil.

O elenco é composto por vizinhos, amigos e parentes (Reprodução/Internet)

“Em abril, o concurso para a Prefeitura de Jaguaribe foi cancelado, praticamente tudo fechado e eu dependendo apenas da minha mãe. E no começo do ano de 2020 foi muito difícil para mim, sobrevivendo apenas com R$ 30 por mês. Foi aí que eu decidi retomar os vídeos. Não a novela em si, mas os vídeos aleatórios. Eu fazia mais para ter uma forma de me distrair na pandemia. As pessoas dentro de casa, isoladas, com medo, foi uma forma de me distrair e distrair as pessoas”, relata.

Em três plataformas

Em novo formato, os vídeos que já eram disponibilizados pelo YouTube agora migraram também para o Instagram e o Facebook com versões mais curtas e acessíveis. É justamente com um vídeo de quatro amigas no que seria um barzinho clandestino em plena pandemia que as produções viralizaram.

Com linguagem popular, no quintal de uma casa, com roupas no varal e causos do cotidiano contados com humor e simplicidade, eles ganham o gosto do público. O elenco é composto por pessoas da família e vizinhos de Faela, que acreditaram no projeto e hoje também já conseguem uma renda a partir das produções.

“O apoio dos meus vizinhos e da minha família foi muito importante para que isso desse certo, porque eles acreditaram quando ninguém mais acreditava e hoje em dia estamos aí. Duas vezes por semana saem vídeos novos e estamos continuando e batalhando até hoje”, comemora.